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Clubes como AABB costumavam lotar os seus salões, mas hoje quem manda é o axé music

Arquivo Geral

22/02/2009 0h00

Confetes, serpentinas,blocos de foliões fantasiados e muitas marchinhas e samba-enredos, como Mamãe, Eu Quero, Vassourinhas e Olha a Cabeleireira do Zezé. Eram assim os tradicionais bailes de Carnaval que, até cerca de 15 anos atrás, enchiam os salões dos clubes locais. Alguns, como o Minas Tênis, que mantinha a tradição desde sua fundação, reconhecem que a mudança de comportamento dos foliões mudou o ritmo do Carnaval.


Desde a fundação de Brasília até o final da década de 1990, eram nos clubes que aconteciam as grandes festas, embora as escolas de samba e os blocos de rua começassem a aparecer. Os foliões vinham de todas as partes do DF e enchiam os salões de clubes que mantinham a tradição de bailes de Carnaval.


Os bailes aconteciam em vários clubes, mas os mais tradicionais eram os do Country Clube, o mais antigo da cidade, o Minas Tênis Clube e o Iate Clube de Brasília, que traziam decoração especial. A diversão dos foliões era organizada. Eles se preparavam dias antes e criavam os blocos de amigos que se fantasiavam para concorrerem ao prêmio de melhor fantasia.


 Naquela época não havia som eletrônico. Os foliões cantavam e dançavam ao som das marchinhas e dos samba enredos das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, puxados pelas orquestras de músicos ao vivo. Mas tudo mudou e os bailes quase já não fazem mais parte do Carnaval local. 


Trio elétrico


O trio elétrico substituiu as orquestras dos salões, o baile se transformou em show e as fantasias deram lugar aos abadás. O vice-presidente Social do Minas Tênis Clube, José Cássio Tavares, viveu parte dessa história quando era apenas sócio do clube. Segundo ele, um dos carnavais do Minas com maior sucesso foi o de 1995, que trouxe o tema Carnaval de Espuma.


Para ele não foi o Carnaval de Brasília que mudou, mas o comportamento dos foliões. “A revolução da juventude influenciou a mudança. Como a chegada de outros ritmos como o axé, que hoje comanda o Carnaval”, acredita Cássio.


“Será frustrante para os foliões que frequentaram o Carnaval do Minas, mas estamos fechando as portas para o Carnaval”, afirma Cássio. Este ano o Minas Tênis Clube realiza apenas a Domingueira de Carnaval, hoje, às 12h. A festa é restrita a associados e convidados.


A realidade é a mesma para outros clubes. O Iate Clube, por exemplo, apresenta programação diferente e reduzida. “Queremos salvar o Carnaval tradicional, mas o público dos clubes só tem diminuído”, afirma o Comodoro (presidente) do Iate, Edson Carvalho Mendonça.


Segundo ele, o clube acompanhou as mudanças dos últimos anos, mesclando as tradicionais marchinhas e novidades do Carnaval atual, para preservar a comemoração. Ele conta que o Carnaval no Iate era realizado no Galpão de Barcos, que era esvaziado para dez mil foliões. A média de público no salão, nos últimos anos, tem sido de duas mil pessoas.


Este ano as parcerias com o clube da Associação dos Servidores do Banco Central (Asbac) e Associação Atlética Banco de Brasília (AABR) que, assim como outros clubes, cancelaram suas programações próprias, traz uma espectativa de público maior no Carnaval do Iate.


“Vamos procurar reunir os foliões de outros clubes para manter a tradição do Carnaval”, explica Edson. O Baile da Folia do Iate acontece amanhã, a partir das 22h, com a participação da escola de samba Bola Preta, de Sobradinho. A entrada é gratuita para sócios e R$ 30 para não-sócios.

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