Clint Eastwood não é o único americano em Cannes 2003. Vincent Gallo e Gus Van Sant também disputam a Palma de Ouro. Mas o mítico diretor e ator de Os Imperdoáveis leva ao festival francês o único autêntico representante de Hollywood.
Trata-se de Mystic River, um dos raros filmes que ele dirige sem reservar a si próprio um papel como ator. O filme foi apresentado ontem e entusiasmou a platéia do festival, que o aplaudiu longamente.
Mystic River é um filme policial de rara elegância, ainda que aborde temas duros como pedofilia e violência juvenil. Conta a história de três garotos, um dos quais é raptado por uma quadrilha de pedófilos que o submetem a todo tipo de humilhação.
Os astros Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins interpretam os meninos na fase adulta, ainda amigos. O passado volta à tona quando a filha de um deles é brutalmente assassinada.
Os franceses reverenciam Eastwood como poucos no mundo. O ator é antigo freqüentador de Cannes, embora nunca tenha levado a Palma. Já disputou o prêmio por O Cavaleiro Solitário (85), Bird (88) e Coração de Caçador, de 90, e até presidiu o júri do evento. Foi em 1994, ano em que Pulp Fiction – Tempo de Violência sagrou-se vencedor.
Embora a imprensa internacional presente ao festival aponte Dogville, com Nicole Kidman, como o mais forte candidato à Palma, premiar Eastwood pode ser uma opção bastante confortável, que tanto coroa o trabalho do diretor como marca posição em relação às conturbadas relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a França.