O presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, seu delegado-geral, Thierry Frémaux, os diretores Pedro Almodóvar, Walter Salles, Alejandro González Iñárritu, e a atriz Isabelle Adjani são algumas das personalidades do cinema que se mobilizaram em defesa de Roman Polanski.
Polanski, de 76 anos, foi detido no último sábado no aeroporto de Zurique (Suíça), onde deveria receber um prêmio pelo conjunto de sua obra. O cineasta é acusado, em um processo judicial aberto em 1977, de ter mantido “relações sexuais ilegais” com uma menor.
Hervé Temime, um de seus advogados, comentou ao “Le Monde” que o diretor sabia que poderia ser extraditado aos Estados Unidos, mas que “ignorava totalmente” o fato de que poderia ser detido na Suíça.
Polanski possui um chalé em Gstaad, na Suíça, onde há mais de três décadas costuma passar três ou quatro semanas por ano.
Entre os grandes nomes do cinema que expressaram seu apoio a Polanski estão cerca de 100 produtores, alguns deles da primeira linha como Pedro Almodóvar, Wim Wenders, Julian Schnabel, Wong Kar Wai e Ettore Scola, segundo a imprensa de Paris.
Os cineastas lembram em seu pedido que “os festivais de cinema do mundo inteiro permitiram sempre que as obras fossem mostradas e que seus autores circulassem e apresentassem-na livremente como toda segurança, inclusive quando certos Estados se opunham a isso”.
As atrizes Jean Moreau, Tilda Swinton, Fany Ardant e Monica Bellucci figuram também entre os signatários que pedem a liberdade imediata de Polanski, junto com instituições como a Cinémathèque Française, o Festival de Cannes e a Société des auteurs compositeurs dramatiques (SACD).
Em um texto conjunto, o escritor Milan Kundera, o filósofo Bernard-Henri Levy e a atriz Isabelle Adjani exigem às autoridades suíças que libertem imediatamente o cineasta franco-polonês.
Duas democracias como a Suíça e EUA não podem cair na indignidade “de transformar esse genial diretor em mártir” de uma confusão jurídico-política, afirmam.
Em declarações à “TV5Monde”, a futura diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a diplomata búlgara Irina Bokova, considerou “chocante” o ocorrido a Polanski.
Bokova disse que o diretor é uma “personalidade intelectual mundialmente conhecida”, mas afirmou não conhecer os detalhes do assunto.
No domingo, o ministro da Cultura francês, Frédéric Mitterrand, considerou “absolutamente horrível” a detenção na Suíça desse “cineasta de dimensão internacional”, devido a “uma história antiga que verdadeiramente não faz sentido”.
O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, anunciou nesta segunda que tinha escrito junto com o chanceler polonês à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para pedir a libertação de Roman Polanski e acabar com essa história “um pouco sinistra”.
Da Agência Efe, em Paris