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Cinema Paradiso em versão digital

Arquivo Geral

24/12/2005 0h00

Chega este mês ao formato DVD um Cinema Paradiso diferente daquele que fez gente à beça sair de nariz vermelho e fungando dos cinemas do Brasil em 1990. A distribuidora Versátil, que passou os últimos dois anos lançando quase todos os clássicos do cinema italiano dos anos 40 aos 70 no mercado brasileiro de DVDs, mandou para as lojas neste fim de ano, tanto avulsas quanto reunidas numa caixa, duas versões deste segundo longa-metragem do siciliano Giuseppe Tornatore. Uma de 123 minutos, acompanhada de farto material extra (o filme em si já existia no Brasil em DVD nesta versão; os extras é que são a novidade); a outra, de 174, num disco consideravelmente mais magro, com menos bônus.
O primeiro longa de Tornatore, Il Camorrista (1985), adaptação livre da vida de um célebre mafioso napolitano, Raffaele Cutolo, circulou com 168 minutos. Ao fazer Cinema Paradiso, relato ultrasentimental do reencontro de um cineasta com seu passado, deflagrado pela morte do projecionista (Philippe Noiret faz o papel) que o apresentara ao cinema quando menino, Tornatore tentou voltar à carga: lançou o filme, no início de 1989, com 155 minutos. E ninguém quis ver.
O fracasso embaraçoso forçou Tornatore a cortar o filme para 123 minutos. O elemento mais sacrificado foi o romance do protagonista, Toto (vivido por Salvatore Cascio na infância; Marco Leonardi na adolescência; e Jacques Perrin na maturidade), com sua primeira namorada, Elena (Agnese Nano na adolescência, e Brigitte Fossey na idade adulta — que, na remontagem, acabou limada do filme). Nesta “reencarnação”, a amizade entre protagonista e projecionista se tornou não mais o norte do filme, mas sua própria razão de ser. E Cinema Paradiso, mais do que qualquer outra coisa, virou o tributo ao poder da imagem em movimento de que falam as descrições-clichê.
E foi neste filme que não só o público mas a comunidade cinematográfica mundial começaram a prestar atenção. Com 123 minutos, Cinema Paradiso levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, em maio de 1989, e o Oscar de melhor filme estrangeiro, quase um ano depois.
Esta versão foi a que circulou não só no Brasil e no mundo, mas também a que finalmente emplacou na Itália. E, no toque final de ironia, foi apenas a partir do êxito dela (um fenômeno à la A Noviça Rebelde, de um filme doce que, no contraste com a concorrência, ganha a platéia pela emoção) que passou a haver interesse do público por saber mais sobre Toto e Elena. Ou seja, pela versão de 155 minutos.
Foi aí que Tornatore se esbaldou. Se inicialmente ele apenas cuidou de lançar em vídeo o filme antes rejeitado, logo percebeu que havia espaço para mais. Logo surgiria, em vídeo e depois também nos cinemas (não no Brasil), sob a alcunha oportunista de “versão do diretor”, um Cinema Paradiso de 174 minutos, com a adição de cenas que haviam ficado de fora mesmo daquele corte mais extenso que circulara a princípio. E é este que a Versátil lançou como versão estendida. Assim, embora haja duas versões do filme à venda, curiosamente nenhuma delas é a original.

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    O primeiro longa de Tornatore, Il Camorrista (1985), adaptação livre da vida de um célebre mafioso napolitano, Raffaele Cutolo, circulou com 168 minutos. Ao fazer Cinema Paradiso, relato ultrasentimental do reencontro de um cineasta com seu passado, deflagrado pela morte do projecionista (Philippe Noiret faz o papel) que o apresentara ao cinema quando menino, Tornatore tentou voltar à carga: lançou o filme, no início de 1989, com 155 minutos. E ninguém quis ver.
    O fracasso embaraçoso forçou Tornatore a cortar o filme para 123 minutos. O elemento mais sacrificado foi o romance do protagonista, Toto (vivido por Salvatore Cascio na infância; Marco Leonardi na adolescência; e Jacques Perrin na maturidade), com sua primeira namorada, Elena (Agnese Nano na adolescência, e Brigitte Fossey na idade adulta — que, na remontagem, acabou limada do filme). Nesta “reencarnação”, a amizade entre protagonista e projecionista se tornou não mais o norte do filme, mas sua própria razão de ser. E Cinema Paradiso, mais do que qualquer outra coisa, virou o tributo ao poder da imagem em movimento de que falam as descrições-clichê.
    E foi neste filme que não só o público mas a comunidade cinematográfica mundial começaram a prestar atenção. Com 123 minutos, Cinema Paradiso levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, em maio de 1989, e o Oscar de melhor filme estrangeiro, quase um ano depois.
    Esta versão foi a que circulou não só no Brasil e no mundo, mas também a que finalmente emplacou na Itália. E, no toque final de ironia, foi apenas a partir do êxito dela (um fenômeno à la A Noviça Rebelde, de um filme doce que, no contraste com a concorrência, ganha a platéia pela emoção) que passou a haver interesse do público por saber mais sobre Toto e Elena. Ou seja, pela versão de 155 minutos.
    Foi aí que Tornatore se esbaldou. Se inicialmente ele apenas cuidou de lançar em vídeo o filme antes rejeitado, logo percebeu que havia espaço para mais. Logo surgiria, em vídeo e depois também nos cinemas (não no Brasil), sob a alcunha oportunista de “versão do diretor”, um Cinema Paradiso de 174 minutos, com a adição de cenas que haviam ficado de fora mesmo daquele corte mais extenso que circulara a princípio. E é este que a Versátil lançou como versão estendida. Assim, embora haja duas versões do filme à venda, curiosamente nenhuma delas é a original.

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