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Cinema nacional em festa

Arquivo Geral

18/12/2003 0h00

Cidade de Deus levou mais troféus (inclusive melhor filme e melhor direção, para Fernando Meirelles), mas o vencedor do prêmio da Academia Brasileira de Cinema, entregue na terça-feira à noite no Cine Odeon-BR, foi o próprio cinema nacional. Sem patrocínio para a eleição e a festa, produtores, atores, técnicos, distribuidores e donos de sala se cotizaram – cada um cedeu um dia de faturamento – e financiaram uma noite charmosa.

Os efeitos técnicos mostraram a eficiência das produções. A começar pelo mestre de cerimônia, o ator José Lewgoy, falecido no início do ano, que anunciava os indicados numa genial montagem de cenas de seus mais de 90 filmes. O presidente da Academia, Luiz Antônio Vianna lembrou que a falta de patrocínio quase impede a realização do prêmio. “Seria muito triste deixar passar em branco, no ano em que o cinema nacional se encontrou com o público”, comentou.

No ano que vem, eles terão mais folga. A prefeitura do Rio vai destinar R$ 1,5 milhão à Academia em 2004. O que não livrou o secretário Municipal das Culturas, Ricardo Macieira, e o diretor da Riofilmes, distribuidora municipal, José Wilker, de ouvirem uma bravata do grande homenageado da noite, o diretor Carlos Manga. “Cinema não se mistura com política, nem precisa de prefeito. Basta nos deixarem fazer o que sabemos”, disse ele no palco. Mas antes da festa, junto com as filhas e os netos, era só doçura. “Receber este prêmio, neste cinema, me emociona porque aqui eu vinha ver a reação do público a meus filmes, a velhinha que ria, a moça que namorava e até quem não achava graça em nada.”

A emoção de Manga deu a tônica da noite, que premiou Marcélia Catarxo e Lázaro Ramos como melhores atores, por Madame Satã; Mariana Ximenes e Paulo Miklos como melhores coadjuvantes por O Invasor; Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho como melhor documentário, e Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, como melhor filme estrangeiro.

A maior parte dos prêmios técnicos se distribuiu entre Cidade de Deus (melhor roteiro adaptado de Bráulio Mantovani; melhor fotografia de Cesar Charlone; melhor montagem, de Daniel Rezende, e melhor som, de vários autores) e Madame Satã (direção de arte de Marcos Pedroso; figurino Rita Murtinho, e maquiagem de Sônia Penna), mas outras produções também levaram sua láurea.

O melhor roteiro original foi para Houve uma Vez um Verão, de Jorge Furtado; e o rapper Sabotage, assassinado este ano, foi um dos contemplados pela trilha sonora de O Invasor. Entre os curtas, Morte (melhor ficção), Como se Morre no Cinema (melhor documentário) e Lasanha Assassina (melhor animação) foram os escolhidos.

Mais que uma disputa para ser o melhor, a noite foi de elegância e confraternização entre os concorrentes. Marieta Severo, que concorria a melhor atriz, por As Três Marias, estava chiquérrima, mesmo advinhando que Marcélia Catarxo levaria o prêmio. João Jardim dedicou seu troféu de melhor documentário a todos os outros concorrentes, lembrando que 2002 foi o ano em que o público brasileiro descobriu o gênero.

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    18/12/2003 0h00

    Cidade de Deus levou mais troféus (inclusive melhor filme e melhor direção, para Fernando Meirelles), mas o vencedor do prêmio da Academia Brasileira de Cinema, entregue na terça-feira à noite no Cine Odeon-BR, foi o próprio cinema nacional. Sem patrocínio para a eleição e a festa, produtores, atores, técnicos, distribuidores e donos de sala se cotizaram – cada um cedeu um dia de faturamento – e financiaram uma noite charmosa.

    Os efeitos técnicos mostraram a eficiência das produções. A começar pelo mestre de cerimônia, o ator José Lewgoy, falecido no início do ano, que anunciava os indicados numa genial montagem de cenas de seus mais de 90 filmes. O presidente da Academia, Luiz Antônio Vianna lembrou que a falta de patrocínio quase impede a realização do prêmio. “Seria muito triste deixar passar em branco, no ano em que o cinema nacional se encontrou com o público”, comentou.

    No ano que vem, eles terão mais folga. A prefeitura do Rio vai destinar R$ 1,5 milhão à Academia em 2004. O que não livrou o secretário Municipal das Culturas, Ricardo Macieira, e o diretor da Riofilmes, distribuidora municipal, José Wilker, de ouvirem uma bravata do grande homenageado da noite, o diretor Carlos Manga. “Cinema não se mistura com política, nem precisa de prefeito. Basta nos deixarem fazer o que sabemos”, disse ele no palco. Mas antes da festa, junto com as filhas e os netos, era só doçura. “Receber este prêmio, neste cinema, me emociona porque aqui eu vinha ver a reação do público a meus filmes, a velhinha que ria, a moça que namorava e até quem não achava graça em nada.”

    A emoção de Manga deu a tônica da noite, que premiou Marcélia Catarxo e Lázaro Ramos como melhores atores, por Madame Satã; Mariana Ximenes e Paulo Miklos como melhores coadjuvantes por O Invasor; Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho como melhor documentário, e Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, como melhor filme estrangeiro.

    A maior parte dos prêmios técnicos se distribuiu entre Cidade de Deus (melhor roteiro adaptado de Bráulio Mantovani; melhor fotografia de Cesar Charlone; melhor montagem, de Daniel Rezende, e melhor som, de vários autores) e Madame Satã (direção de arte de Marcos Pedroso; figurino Rita Murtinho, e maquiagem de Sônia Penna), mas outras produções também levaram sua láurea.

    O melhor roteiro original foi para Houve uma Vez um Verão, de Jorge Furtado; e o rapper Sabotage, assassinado este ano, foi um dos contemplados pela trilha sonora de O Invasor. Entre os curtas, Morte (melhor ficção), Como se Morre no Cinema (melhor documentário) e Lasanha Assassina (melhor animação) foram os escolhidos.

    Mais que uma disputa para ser o melhor, a noite foi de elegância e confraternização entre os concorrentes. Marieta Severo, que concorria a melhor atriz, por As Três Marias, estava chiquérrima, mesmo advinhando que Marcélia Catarxo levaria o prêmio. João Jardim dedicou seu troféu de melhor documentário a todos os outros concorrentes, lembrando que 2002 foi o ano em que o público brasileiro descobriu o gênero.

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