Marlon Maciel, com agências
A adaptação do conceito de redes sociais da internet às comunidades de espectadores que ainda se formam em cinematecas e cineclubes, o portal The Auteurs (www.theauteurs.com) registrou em maio frequência de 150 mil visitantes e planeja, até o primeiro trimestre de 2010, oferecer uma versão brasileira.
Cerca de 50% dos internautas cadastrados estão nos EUA, onde o portal foi criado, em 2007. Reino Unido e França vêm em seguida. No Brasil, o movimento ainda é muito pequeno. Está em 27º lugar, mas a ideia é que esteja entre os dez primeiros, como o México.
O argentino Eduardo Constantini, da produtora Costa Films, sócia de The Auteurs ao lado da distribuidora norte-americana Criterion e da francesa Celluloid Dreams, negocia com distribuidores brasileiros de filmes independentes o lançamento do portal em português, com oferta inicial de aproximadamente 50 produções nacionais.
Hoje, internautas localizados no Brasil podem participar da comunidade – lendo e escrevendo artigos, por exemplo – e assistir ao acervo ainda restrito de filmes cujos direitos de distribuição incluem o país. São cerca de 150 títulos, nenhum deles nacional, a preços que variam de US$ 1 (R$ 1,95) a US$ 3 (R$ 5,80).
Entre os longas disponíveis, figuram inéditos no circuito comercial brasileiro assinados por cineastas de prestígio no circuito de festivais, como Pickpocket (1997), do chinês Jia Zhang-ke, Tropical Malady (2004), do tailandês Apichatpong Weerasethakul, e Three Times (2005), do taiuanês Hou Hsiao-hsien.
Catálogo brasileiro
Entre as 27 produções brasileiras já disponíveis no portal para serem vistas nos EUA e em outros países, mas ainda não no Brasil, figuram longas contemporâneos, muitos inéditos no país, como À Deriva, de Heitor Dhalia, e No Meu Lugar, de Eduardo Valente, que participaram do último Festival de Cannes e estarão no Festival Paulínia de Cinema na próxima semana, além dos recém-lançados Garapa, de José Padilha, e A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, Tropa de Elite (2007), de Padilha, e Linha de Passe (2008), de Walter Salles e Daniela Thomas.
Graças a um acordo firmado durante o último Festival de Cannes com a The World Cinema Foundation, organização sem fins lucrativos criada e presidida pelo cineasta norte-americano Martin Scorsese, o portal começou a exibir gratuitamente, para internautas de todos os países, os filmes restaurados pela fundação.
O primeiro pacote traz três longas de ficção: o sul-coreano Hanyo (1960), de Kim Ki-younk, o turco Susuz Yaz (1964), de Metin Erksan, Urso de Ouro no Festival de Berlim, e o senegalês Touki Bouki (1973), de Djibril Diop Mambéty, prêmio da crítica no Festival de Moscou – e o documentário franco-marroquino Transes (1981), de Ahmed El Maanouni.
Os filmes gratuitos estão entre os mais vistos e constituem o principal atrativo no catálogo do portal. Em maio, o número um foi A Aventura, de Michelangelo Antonioni.
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