Anna Beatriz Lisbôa, da redação do Clicabrasilia
Depois da polêmica causada por Filmebobia de Kiko Goifman na noite anterior, foi a vez do cearense Rosemberg Cariry desconcertar o público com seu longa metragem Siri-ará. O filme narra a “tragédia fundadora do Ceará”, nas palavras do diretor, resgatando a história da origem do povo que habita a região, através do mestiço Cioran.
A história envolve o conflito entre os guerreiros brancos do reisado e os índios da banda de pífanos numa alegoria da história de Dom Pero Coelho em 1603, que, em busca do Eldorado é castigado pela fome, loucura e morte no sertão.
Falando sobre o festival, Cariry afirma que “esta edição inaugura o cinema da brasilidade, apontando a pós-modernidade do cinema brasileiro”. Seja como for, essa “pós-modernidade” de Cariry ainda tem muito de Glauber Rocha na linguagem alegórica e pouco acessível. O tom teatral dos diálogos acompanha o estilo esquemático de encenação, marcada por elementos folclóricos.
Cada plano é cuidadosamente concebido em uma paciente exploração da paisagem sertaneja. No entanto, há que se questionar se tanto rebuscamento de linguagem é o caminho mais eficiente para transmitir a história. O fato é que os corredores, que durante o festival também servem de assento, terminaram a sessão vazios. Quem ficou, gostou do que viu e aplaudiu bastante.
Curtas
Brasília (Título Provisório), do candango J. Procópio abriu a noite desta sexta-feira (21). O filme gira em torno do roteiro do cineasta Edu, que pretende fazer um filme sobre a cidade. O detalhe é que a Brasília de Edu acabou não dando certo e foi abandonada por seus habitantes, sobrando apenas as ruínas de Oscar Niemeyer para contar história. É quando um arqueólogo, uma arquiteta e um documentarista caem de avião na cidade fantasma e resolvem explorar o lugar que teria sido a capital da república.
O filme brinca com referências que vão desde piadas internas brasilienses, passando por clichês de filmes de aventura americanos, quadrinhos, até o nível da metalinguagem, explorando o velho recurso do filme dentro do filme. Os destaques são para o excelente trabalho de animação de Ítalo Cajueiro e Felipe Queiroz e para a participação inusitada do global Thiago Fragoso no empreendimento. No final, aplausos e vaias.
O segundo curta é o belo documentário A Arquitetura do Corpo dirigido pelo mineiro Marcos Pimentel, mostrando o dia-a-dia de bailarinos e dançarinos. O filme é rico em planos detalhe que enfatizam o esforço físico e a repetição no treinamento dos bailarinos, além de buscar elementos da dança no seu cotidiano. Aliás, a beleza do filme está em sua atenção aos detalhes e na postura não intrusiva da direção. O documentário é silencioso e sua narrativa é construída pelo movimento, pela música e pelo som direto, captado durante as filmagens.
O Clicabrasilia pegou opinião de dez pessoas que acompanharam a mostra. Confira abaixo.
Brasília (Título provisório):
Ótimo: 0
Bom: 2
Regular: 6
Ruim: 2
A Arquitetura do Corpo:
Ótimo: 2
Bom: 6
Regular: 1
Ruim: 1
Siri-ará:
Ótimo: 2
Bom: 7
Regular: 0
Ruim: 1
Serviço
10h, Hotel Nacional, Salão Vermelho Ala B, acesso livre.
Debate com as equipes dos filmes da Mostra Brasília e da Mostra Competitiva 35mm exibidos no dia anterior no Cine Brasília.
14h e 21h30, Embracine CasaPark, Sala 7.
Mostra Competitiva 35mm
Nº 27, de Marcelo Lordello, 19min, PE
Cidade Vazia, de Cássio Pereira dos Santos, 13min, DF
FilmeFobia, de Kiko Goifman, 80min, SP
14h30, Sala Martins Pena, Teatro Nacional Claudio Santoro, entrada franca.
Mostra Competitiva 16mm e debate
A Menina Espantalho, de Cássio Pereira dos Santos, 13min, DF
Homicida É!, de Gustavo Serrate, 25min, DF
Landau 66, de Fernando Sanches, 12min, SP
Memórias Finais da República de Fardas, de Gabriel F. Marinho, 35min, DF
O Velho Guerreiro não Morrerá – O Cangaceiro de Lima Barreto 50 Anos Depois, de Paulo Duarte, 20min, SP
Raul de Xangô, de Érico Cazarré, Henrique Siqueira, Marieta Cazarré, 17min, DF
Premiação do CEL.U.CINE – Festival de micrometragens promovido pelo Oi Futuro
Mostra Brasília 16mm
Ainda Somos os Mesmos, de Filipe Vianna, 12min, DF
Geni, de Marco Alencar, 13min, DF
16h e 19h30, CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil.
Mostra Competitiva 35mm
Brasília (Título Provisório), de J. Procópio, 15min, DF
A Arquitetura do Corpo, de Marcos Pimentel, 21min, MG
Siri-Ará, de Rosemberg Cariry, 90min, CE
16h30,Cine Brasília, entrada franca.
Mostra Brasília 35mm
A Menina que Pescava Estrelas, de Ítalo Cajueiro, 9min, DF
Estrada Paraíso, de Tony Martin, 8min, DF
Um Certo Esquecimento, de André Carvalheira, 17min, DF
Lauro-Davidson, de Marcela Tamm Rabello, 13min, DF
Pequena Fábula Urbana, de Jimi Figueiredo, 13min, DF
Sagrado Segredo, de André Luiz Oliveira, 75min, DF
18h, Saguão do Hotel Nacional, acesso livre.
Lançamento dos livros e DVDs: Orlando Senna – O Homem da Montanha, de Hermes Leal; Vladimir Carvalho: Pedras na Lua e Pelejas no Planalto, de Carlos Alberto Mattos e O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Apontamentos para a História), de Rosemberg Cariry e Firmino Holanda, Coleção Glauber Rocha e Coletânea dos filmes de Camilo Cavalcante.
20h, Praça do Centro Cultural Itapuã
Festival de Cinema no Gama
A Menina Espantalho, de Cássio Pereira dos Santos, 13min, DF
Homicida É!, de Gustavo Serrate, 25min, DF
Memórias Finais da República de Fardas, de Gabriel F. Marinho, 35min, DF
Raul de Xangô, de Érico Cazarré, Henrique Siqueira, Marieta Cazarré, 17min, DF
Ainda Somos os Mesmos, de Filipe Vianna, 12min, DF
Geni, de Marco Alencar, 13min, DF
20h30 e 23h30, Cine Brasília.
Mostra Competitiva 35mm
Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso, 9min, DF
Minami em Close-up, de Thiago Mendonça, 19min, SP
Ñande Guarani (Nós Guarani), de André Luís da Cunha, 76min, DF
21h, Cinemark Pier 21
Mostra Competitiva 35mm
A Mulher Biônica, de Armando Praça, 19min, CE
Que Cavação É Essa?, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo, 19min, RJ
O Milagre de Santa Luzia, de Sergio Roizenblit, 104min, SP