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Cineasta Ruy Gerra ganha mostra completa no CCBB Brasília

Arquivo Geral

03/10/2006 0h00

Da densidade de Estorvo e O Veneno da Madrugada ao lirismo de A Ópera do Malandro e A Fábula da Bela Palomera. Poucos são os cineastas brasileiros que podem ser orgulhar de tanto ecletismo e importância. É o caso de Ruy Guerra, que nasceu em Moçambique, mas se naturalizou brasileiro.

Todo esse múltiplo universo estará em cartaz na mostra Ruy Guerra, Filmar e Viver, que ficará no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília de 3 a 15 de outubro. A obra completa de Guerra estará reunida na mostra, que é composta por 12 longas-metragens, documentários, curtas, produções para a TV e para o vídeo.

"É a maior mostra já realizada da obra de Ruy", afirma a curadora Dolores Papa. Ela ressalta que apenas um longa-metragem do cineasta ficou de fora de Ruy Guerra, Filmar e Viver.

Um dos maiores divulgadores do cinema nacional no exterior – “Guerra tem uma maneira de filmar genuinamente brasileira”, afirma Dolores – Ruy Guerra faz parte da história da nossa cinematografia. “Ele é um ícone”, diz a curadora.

Entre as raridades apresentadas em Ruy Guerra, Filmar e Viver, estão os filmes que ele fez para a TV, as séries e o longa Mueda – Memória e Massacre, de 1980. "Esse filme é muito interessante porque fala de um período de libertação de Moçambique e só foi feito 20 anos depois", explica Dolores.

Além das raridades, os clássicos são outro bom motivo apontado pela curadora para não deixar de ir à mostra. "Guerra fez filmes como Os Cafajestes e Os Fuzis, que merecem sempre ser vistos e revistos tanto pelo público que gosta de cinema como por aqueles que estudam  o assunto", diz Dolores.

Preocupado com a renovação dos cineastas brasileiros, Ruy Guerra dirige o curso superior de cinema na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, onde leciona a disciplina Linguagem Cinematográfica.

"Ruy agora esse contato com o publico e faz questão de participar de eventos que possibilitem essa troca", afirma Dolores. Em Brasília, o cineasta estará à disposição do público do CCBB no dia 4 de outubro, quando estará à frente da palestra A Direção Cinematográfica.

Programação

Dia 3 de outubro (Terça-feira)
19h – O Veneno da Madrugada

Dia 4 de outubro (Quarta-feira)
15h – Os Fuzis
17h – A Queda

Dia 5 de outubro (Quinta-feira)
15h – Os Comprometidos – Episódios 1 e 2
17h – Me Alquilo para Soñar – Episódios 1 e 2
19h – Monsanto
21h – Os Cafajestes

Dia 6 de outubro (Sexta-feira)
15h – Mix – Curtas-metragens
17h – O Estorvo
19h – O Veneno da Madrugada
21h – Mueda, Memória e Massacre

Dia 7 de outubro (Sábado)
15h – Os Comprometidos – Episódios 3 e 4
17h – Os Fuzis
19h – A Queda
21h – Kuarup

Dia 8 de outubro (Domingo)
15h – Mix – Curtas-metragens
17h – Os Deuses e os Mortos
19h – Ópera do Malandro
21h – Erendira

Dia 10 de outubro (Terça-feira)
17h – Os Comprometidos – Episódios 5 e 6
19h – Kuarup
21h – A Fábula da Bela Palomera

Dia 11 de outubro (Quarta-feira)
17h – Me Alquilo para Soñar – Episódios 3 e 4
19h – Mueda, Memória e Massacre
21h – Os Cafajestes

Dia 12 de outubro (Quinta-feira)
19h – A Fábula da Bela Palomeira
21h – Ópera do Malandro

Dia 13 de outubro (Sexta-feira)
19h – Me Alquilo para Soñar – Episódios 5 e 6
21h – Os Deuses e os Mortos

Dia 14 de outubro (Sábado)
19h – Erendira
21h – O Estorvo

Dia 15 de outubro (Domingo)
19h – A Fábula da Bela Palomera
21h – Monsanto

Ruy Guerra, Filmar e Viver – Mostra de cinema com a obra de Ruy Guerra, de 3 a 15 de outubro, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).

Sinopses

Os Cafajestes –  Sucessivas chantagens feitas por dois amigos – um vigarista de Copacabana (RJ) e um filho de banqueiro – acabam revelando relações de amor e frustração.

Os Fuzis – Num vilarejo do interior da Bahia, um grupo de soldados tenta impedir que a população faminta invada e saqueie os depósitos de alimentos, enquanto aguardam a promessa de chuva profetizada por um beato e seu boi santo. Um motorista de passagem, ex-militar, acaba por incitar o povo e é morto pelos soldados.

Os Deuses e os Mortos – No sul da Bahia, nos anos 30, um homem sem nome, nem passado, se intromete na luta dos grandes coronéis pela posse da terra e do cacau. É uma luta de interesses econômicos e financeiros, de produtores e exportadores, no clima úmido e tropical dos cacauais e bananais, numa corrida do ouro que chama aventureiros e jagunços, sertanejos fugidos do sertão, prostitutas, jogadores, vendedores ambulantes, circos e ilusões.

A Queda – Um soldado cai do andaime onde trabalha sem segurança. A caminho do hospital, um companheiro relembra passagens vividas pelos dois no sertão baiano (Os Fuzis). A morte do operário complica a empresa, que não quer correr o risco de ser denunciada pelas más condições de trabalho de seus empregados.

Mueda – Memória e Massacre – Depois de duas décadas de auto-exílio, Ruy Guerra retorna a sua terra natal para realizar essa produção. O filme documenta a reconstituição teatral popular do massacre perpetrado pelas forças coloniais portuguesas na localidade de Mueda, em 16 de junho de 1960, data que constitui um dos marcos históricos da luta pela independência de Moçambique.

Erendira – Baseado no livro A Incrível e Triste História da Cândida Erendira e Sua Avó Desalmada, de Gabriel García Márquez. Na solidão do deserto, Erendira mora numa mansão com sua avó. Com a morte do marido, a avó dispensa os empregados e todo o serviço doméstico da casa fica por conta da neta. Um incêndio, provocado acidentalmente por Erendira, destrói o casarão. A avó decide, então, vender o corpo da neta.

Ópera do Malandro – Filme baseado na peça de Chico Buarque, inspirada no clássico de John Gray e no musical A Ópera dos Três Vinténs, de Berthold Brecht e Kurt Weill. Em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, uma dançarina de cabaré é explorada por um cafetão, no bairro da Lapa (RJ). O cabaré pertence a um alemão, odiado pelo cafetão e seus seguidores, que, num acesso de fúria, destroem o cabaré. Em represália, o alemão despede a dançarina, mas vê sua filha seduzida pelo malandro.

A Fábula da Bela Palomera – Da série Amores Difíceis, baseado em episódio do romance O Amor Nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. No final do século 19, um rico aristocrata, fabricante de cachaça em Paraty (RJ) apaixona-se por uma jovem casada. Os amantes clandestinos utilizam-se de pombos-correio para se comunicar, temendo que a cidade saiba da ligação entre os dois e que o romance tenha um desfecho trágico.

Kuarup – Adaptação do romance Quarup, de Antônio Callado. Nando, um padre pernambucano em crise existencial, relembra dez anos de sua vida (1954-1964), como seu envolvimento político pouco antes do golpe de 1964, a sobrevivência na clandestinidade e a luta contra as tentações da carne, simbolizadas na paixão irreprimível pela jovem Sônia.

Estorvo – Baseado no livro homônimo de Chico Buarque de Hollanda. O pesadelo existencialista de um personagem anônimo que vaga por uma grande cidade, desconfiado de tudo e de todos, afrontando a violência cotidiana, o próprio passado e seus fantasmas. Nessa fuga sem destino, revê amigos, busca a família e se envolve com personagens extremados, na tentativa de descobrir o enigma de sua caminhada.

Monsanto – Rui Sequeira, ex-combatente na Guerra Colonial, habitante de uma pequena vila do Alentejo, festeja mais um aniversário da Revolução dos Cravos na companhia da sua mulher e da sua filha, a jovem Sara, com a qual possui uma relação conflituosa. Na noite das comemorações, a morte de um amigo altera para sempre as suas vidas, acordando um passado há muito adormecido.

O Veneno da Madrugada – Baseado em livro homônimo de Gabriel García Márquez. A chuva constante e a lama fazem parte do cotidiano dos habitantes de um povoado localizado em algum lugar da América do Sul. As várias construções decadentes revelam a expectativa do progresso no passado, que não se realizou. A estagnação do povoado sofre um abalo quando diversos bilhetes anônimos são espalhados por toda a cidade, denunciando traições amorosas e políticas, assassinatos, romances secretos e segredos de família envolvendo filhos bastardos.

Quand Le Soleil Dort  – Prova final de Ruy Guerra no curso de cinema do IDECH (França), baseado em romance de Elio Vitorini. Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados alemães vigia prisioneiros pertencentes à resistência italiana.

Operação Búfalo – Documentário sobre o abate ecológico de manadas de búfalos em Moçambique.

Um Povo Nunca Morre – Realizado em Moçambique, o filme registra o cerimonial de transladação da Tanzânia para Moçambique dos restos mortais de guerrilheiros da Frelimo, heróis nacionais da luta pela independência.

Os Comprometidos – Entre 1978 e 1979, centenas de pessoas foram entrevistadas por um comitê da Frelimo – Frente de Libertação de Moçambique, com vistas a tornar públicos fatos da história recente do país. Exibição de 5 capítulos de uma série de 30.

Obvious Child – Videoclipe de Rythm of The Saints, de Paul Simon. Filmado em Salvador com o grupo Olodum.

Me Alquilo Para Soñar – A partir de idéia original de Gabriel García Márquez e roteiro em parceria com Ruy Guerra. O livro foi escrito durante a oficina de roteiros da Escola de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños (Cuba), culminando na produção da série. História de uma mulher que oferece seus serviços de sonhadora.

Carta Portuguesa a Sarajevo – Filmado em Lisboa (Portugal). Episódio da série de TV Saravejo: Chronique d’une Rue Assiegée que, de novembro de 1993 a março de 1994, pediu a vários realizadores para dar um depoimento sobre Sarajevo sitiada.

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