A partir das 20h de hoje, os brasileiros vão começar a conhecer o destino final de Harry Potter, o bruxinho órfão inglês que há dez anos conquistou fãs espalhados no globo. O lançamento mundial de Harry Potter and The Deathly Hallows – sétimo livro da escritora J.K. Rowling, que começou em 1997 com Harry Potter e a Pedra Filosofal – promete um estouro de vendas: a Scholastic, editora da publicação nos Estados Unidos, imprimiu 12 milhões de cópias só para o mercado norte-americano. Por enquanto, a série de seis volumes já vendeu mais de 322 milhões de cópias em 64 países. No Brasil, a saga do bruxinho, estudante da Escola de Magia de Hogwarts, alcançou a marca de 2,5 milhões.
Os brasilienses que já não agüentam a curiosidade acerca do destino de Potter podem recorrer, hoje à noite, às lojas Cultura (Casa Park Shopping), Fnac (Park Shopping), Saraiva e Siciliano. Mas, a partir da manhã de amanhã, as outras livrarias já estarão com seus estoques da obra prontos para serem examinados pelos leitores.
Chegando no mercado brasileiro em cinco formatos diferentes – desde a edição infantil em inglês britânico, passando para a versão norte-americana, até a versão luxo com direito a autógrafo de J.K. Rowling –, o exemplar traduzido para o português, batizado de Harry Potter e as Relíquias da Morte deve aparecer nas livrarias à meia-noite do dia 10 de novembro. Para isso, a partir de segunda-feira, Lia Wyler (tradutora que se encarregou de transpor para o português a série do fantástico universo criado por Rowling) começa uma maratona de dez horas de trabalho diário.
Fanatismo
Quem não quer esperar deve agir como Leonardo Brandão, de 18 anos, que vai passar o final de semana totalmente dedicado a descobrir o final da série. Leonardo, junto a outros 15 pottermaníacos, participa hoje da Gincana Hogwarts, promovida pela Livraria Cultura. Trata-se de uma disputa entre as quatro casas da escola: Grifinória, Lufa-lufa, Sonserina e Corvinal. Representando a Corvinal (cujos alunos se destacam pela inteligência), Leonardo ainda não sabe como será sua vida pós-Harry Potter. “Eu não consigo imaginar minha vida depois de hoje”, confessa, ao contar que começou a acompanhar a saga de Potter quando tinha 13 anos.
Thaís Quintas, que completa 20 anos mês que vem, tem sua teoria sobre o fim da história. Enquanto as apostas variam entre a morte de Harry Potter ou do malévolo Lord Voldemort e a união de Rony e Hermione, Thaís acredita que “Neville mata o Voldermort, que, por sua vez, matou Harry”. Mas ela mesmo emenda: “É uma teoria muito profunda, mas sei que não vai se concretizar”. Thaís, aliás, representa na gincana a Sonserina – a casa que mais gera bruxos simpáticos às Artes das Trevas.
O acontecimento mais temido pelos que esperam ansiosamente pelo último livro de Rowling concretizou-se na segunda-feira. Imagens sobre as supostas últimas páginas do livro surgiram na internet, para o terror de Ana Carolina Ribeiro, 18, que parou de acessar a rede. Depois de adquirir o livro hoje, ela também vai se isolar para terminar de desvendar a história. Para ela, o final ideal inocentaria Severo Snape – professor de Hogwarts e desafeto do pai de Harry durante a adolescência –, deixaria Harry Potter vivo e Luna Lovegood feliz. Luna surgiu apenas no quinto livro da série e conquistou seus fãs. Dos seis entrevistados, todos integrantes do Potter Heaven – fã-clube oficial do bruxo em Brasília –, três listaram a excêntrica Luna como o personagem favorito, deixando Harry em segundo lugar.
Desde 1997, Larrisse da Silva Alves, 22 anos, lê Harry Potter, ou seja, ela esperou dez anos para chegar o dia em que descobriria o final da história. Ela não resistiu à tentação e se entregou ao spoiler – vazamento de informações. Sim, ela leu o final. Na gincana desta noite, ela será da casa Lufa-lufa. “No final, pensei: nossa, essa mulher é um gênio”, diz Larrisse, em referência à autora.
Harry Potter and the Deathly Hallows – De J.K. Rowling.
Editora Scholastic. 784 páginas.
Preço médio: R$ 65.