Apreciar estrelas cadentes, eclipse solar e outros fenômenos celestes não é apenas um prazer para Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. Astrônomo há quase 50 anos, ele é um dos mais respeitados profissionais da área e estará hoje conversando com os brasilienses pelo projeto Sempre Um Papo, no Conjunto Cultural da Caixa, às 19h30. Além do debate, Mourão estará lançando os livros Anuário de Astronomia 2004 e O que é Ser Astrônomo.
O anuário, 24º livro da série iniciada em 1981, é um guia do céu no qual o leitor encontra previsões sobre todos os fenômenos astronômicos de 2004. O livro inclui informações sobre asteróides, cometas e estrelas com explicações específicas para cada um.
Já na obra O que é Ser Astrônomo, o autor Jorge Calife colheu depoimentos de Ronaldo Mourão em meio a livros raros, velhas lunetas e instrumentos astronômicos. O leitor vai descobrir, além do que faz um cientista dos astros e como ele se forma, um pouco mais sobre os bastidores, os problemas de relacionamento humano e as disputas que às vezes ocorrem dentro dos laboratórios.
O interesse de Ronaldo pela Astronomia começou ainda criança, com a mãe descrevendo a passagem do cometa Halley em 1910. Os relatos provocavam na família a vontade de conhecer os corpos celestes e, por isso, Mourão e o pai costumavam fazer visitas ao Observatório Nacional. A vocação foi consolidada com o ingresso, em 1956, aos 20 anos, na Universidade do Estado da Guanabara (a atual Uerj) no curso de Física.
Desde então, sem jamais parar de produzir, ele escreveu 70 livros e mais de uma centena de artigos de pesquisas científicas, publicados em revistas internacionais especializadas. Em 1970, por exemplo, ele publicou o Atlas Celeste, uma descrição do céu do modo como ele é visível no País com um bom número de cartas celestes.
O público terá a oportunidade de conhecer histórias como a vez que Mourão recebeu em Brasília um bilhetinho de um pai agradecendo pelo Atlas Celeste. Segundo o pai, o livro foi responsável pela aproximação da família, que saía junto para observar o céu. Ou que o poeta Carlos Drummond de Andrade, leitor confesso da coluna que o astrônomo escrevia, se inspirou em seu trabalho e fez uma poesia em homenagem explícita ao pesquisador. Além dos livros, o astrônomo brasileiro tem seu nome também no céu. Um asteróide, descoberto em 22 de maio de 1980, ganhou o nome Mourão.