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Cesaria Evora resgata raízes

Arquivo Geral

11/03/2004 0h00

As viagens, o sucesso, o conforto material. Nada disso parece ter mudado a simplicidade com que a cantora cabo-verdiana Cesaria Evora, de 62 anos, encara a vida. A “diva descalça” continua dispensando os sapatos no palco, segue fã da comida caseira e mantém o hábito de atear fogo a vários maços do cigarro português SG.

De novo, há o fato de ela estar lançando Voz d´Amor, seu novo e nono CD. E mesmo ele é uma ode à continuidade ou, por outra, um retorno da cantora às raízes mais profundas da música de Cabo Verde, após ter flertado com sonoridades brasileiras e cubanas ao longo dos anos.

Tanto nos hábitos como na música, o substantivo “mudança” provoca desconforto. “A morna (música popular de Cabo Verde e estilo mais abordado pela cantora) não pode ser mudada. Os instrumentos são aqueles, o ritmo é aquele. Depois, é só cantar conscientemente”, disse ela, de Paris, por telefone.

A cantora é tão apegada às origens que preferiu conceder a entrevista em crioulo, dialeto com base lusitana falado em Cabo Verde e que dá às letras que Evora canta aquela familiaridade distante para falantes de português. Uma intérprete tornou possível a comunicação.

Apesar de ter decidido gravar um CD dominado por canções típicas de seu país, a cantora afirma que ele não tem um gosto de volta para casa. “Isso porque, mesmo quando cantei com músicos de outros países, jamais abandonei as tradições cabo-verdianas. Não sei o que fazer sem elas”.

E isso revela mais um aspecto da cantora: ela gosta de manter as coisas simples e descomplicadas. Exercícios para manter a voz em forma? “A única coisa que faço a esse respeito é fumar”. Casamento? “Tenho três filhos de três pais diferentes, mas jamais assumi a união oficial com um homem”. Por quê? “Por nada. Apresente-me um que valha a pena. Ou melhor, apresente uns 12”.

Mesmo com os poucos cuidados que dedica à própria saúde, a cantora não revela os estragos dos anos em Voz d´Amor. Na opinião dela, há poucas diferenças entre seu primeiro trabalho, La Diva aux Pieds Nus (1988), e o atual. “Talvez minha voz esteja um pouco mais velha, mas ainda é boa. Os fãs continuam gostando”. Outra coisa que os anos não levaram foi a disposição para viajar. “Não há nada programado, mas, se me chamarem para cantar no Brasil, faço as malas agora”.

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    11/03/2004 0h00

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    De novo, há o fato de ela estar lançando Voz d´Amor, seu novo e nono CD. E mesmo ele é uma ode à continuidade ou, por outra, um retorno da cantora às raízes mais profundas da música de Cabo Verde, após ter flertado com sonoridades brasileiras e cubanas ao longo dos anos.

    Tanto nos hábitos como na música, o substantivo “mudança” provoca desconforto. “A morna (música popular de Cabo Verde e estilo mais abordado pela cantora) não pode ser mudada. Os instrumentos são aqueles, o ritmo é aquele. Depois, é só cantar conscientemente”, disse ela, de Paris, por telefone.

    A cantora é tão apegada às origens que preferiu conceder a entrevista em crioulo, dialeto com base lusitana falado em Cabo Verde e que dá às letras que Evora canta aquela familiaridade distante para falantes de português. Uma intérprete tornou possível a comunicação.

    Apesar de ter decidido gravar um CD dominado por canções típicas de seu país, a cantora afirma que ele não tem um gosto de volta para casa. “Isso porque, mesmo quando cantei com músicos de outros países, jamais abandonei as tradições cabo-verdianas. Não sei o que fazer sem elas”.

    E isso revela mais um aspecto da cantora: ela gosta de manter as coisas simples e descomplicadas. Exercícios para manter a voz em forma? “A única coisa que faço a esse respeito é fumar”. Casamento? “Tenho três filhos de três pais diferentes, mas jamais assumi a união oficial com um homem”. Por quê? “Por nada. Apresente-me um que valha a pena. Ou melhor, apresente uns 12”.

    Mesmo com os poucos cuidados que dedica à própria saúde, a cantora não revela os estragos dos anos em Voz d´Amor. Na opinião dela, há poucas diferenças entre seu primeiro trabalho, La Diva aux Pieds Nus (1988), e o atual. “Talvez minha voz esteja um pouco mais velha, mas ainda é boa. Os fãs continuam gostando”. Outra coisa que os anos não levaram foi a disposição para viajar. “Não há nada programado, mas, se me chamarem para cantar no Brasil, faço as malas agora”.

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