O público de Brasília que gosta de cultura pode preparar a pipoca e se dirigir ao Centro Cultural Banco do Brasil, onde serão realizados 66 projetos culturais durante todo o ano de 2007. A programação, divulgada nesta terça-feira para a imprensa, prima pelo ecletismo e abrange exposições contemporâneas, estréias teatrais e muitas mostras de cinema.
O cinema, por sinal foi a área que teve mais projetos selecionados: foram 24. "As mostras terão duração média de 15 dias e se dividem em retrospectivas (Robert Bresson e o Cinema Contemporâneo), homenagens (José Mojica Martins – 50 Anos de Carreira) e estilos (Nouvelle Vague Ontem e Hoje)", afirma Luzineide Soares, gerente-geral do CCBB. Ela ainda destaca a mostra Assim Vivemos, com filmes que falam sobre portadores de alguma deficiência sob a ótica da inclusão social.
“Teremos filmes com legendas sonoras e também catálogos em braile para deixar cada vez menos gente de fora”, afirma Fábio Cunha, gerente de programação do CCBB. Outro destaque apontado por Fábio é a mostra TV Grandes Autores, com produções que cineastas como Lars Von Trier e Orson Welles fizeram para a televisão.
A música e o teatro tiveram 10 projetos selecionados, cada um. Na música, o destaque vai para o resgate da música de raiz em O Brasil Caboclo de Cornélio Pires e para o encontro entre brasileiros, argentinos e uruguaios em Mercosul Musical, com a participação de Jorge Drexler, Guinga e Pedro Aznar, entre outros. "Ainda teremos um projeto didático totalmente dedicado à obra de Villa-Lobos", afirma Luzineide.
O caráter multifuncional da arte estará presente no projeto O Romantismo, com a direção de José Hue. "Além de apresentações musicais, o projeto contará com recitais e debates sobre a escola romântica", afirma a gerente-geral. Entre os nomes esperados para este projeto estão os de Cristiane Torloni e Paulo Betti.
No teatro, três montagens subirão ao palco pela primeira vez em Brasília. Homemúsica traz o multimídia Michel Melamed em um monólogo instigante e bem-humorado; Tao apresenta Selton Mello, Lázaro Ramos, Guilherme Weber e Leonardo Medeiros sob a batuta do diretor Felipe Hirsch; e Um Dia, no Verão marca a volta de Monique Gardemberg ao palco do CCBB.
O teatro local estará representado pela forte presença de Hugo Rodas, que, ao lado de Antônio Abujamra, dirige Os Demônios, estrelado por um grande elenco brasiliense, com Carmem Moretzhom e Bidô Galvão.
Na área das exposições, o cerne seguido nos oito projetos selecionados será o da arte contemporânea, com destaque para a coletiva Trópicos e para a primeira individual do uruguaio Pablo Atchugarry no Brasil. "A arte contemporânea será nosso caminho, mas isso não significa que estaremos presos a ela", ressalta Fábio Cunha.
Outra novidade será a utilização do espaço externo do CCBB com mais freqüência. "Somos privilegiados por ter todo este espaço. Não tem motivo para não aproveitarmos mais nosso jardim para eventos", diz Luzineide, citando a exposição Jardins do Poder e os shows Domingo no CCBB como exemplos de eventos que ocuparão a área externa.
Uma grande exposição que está programada para este ano é Fé, Engenho e Arte – Aleijadinho e seu Tempo, com obras barrocas de Aleijadinho, mas que seguem uma curadoria contemporânea. "Esta exposição será grandiosa e ocupará nossas três galerias ao mesmo tempo", afirma a gerente-geral.