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Cartões-postais trocados por casal entre 1904 e 1907 ganham exposição na Caixa Cultural

Arquivo Geral

18/12/2007 0h00

Palavras cuidadosamente escritas com letras caligráficas e regadas a um romantismo inexistente nos dias atuais. Foi por meio de cartões-postais que Eduardo Marques Júnior começou a conquistar o coração da jovem Maria Angélica Casado, na cidade de Porto Alegre (RS), em 1904. Apelidado de Dudu, ele colecionava os cartões e era conhecido como “artista”, por pintar vários deles e criar versos. As figuras eram geralmente fotos de estúdio ou pinturas em alto relevo de artistas e atrizes do teatro e de ópera da Europa.

Desde sábado, o público brasiliense pode conferir de perto os carinhos trocados por Dudu e Mariquinhas (Maria Angélica) entre 1904 e 1907. Mais de 130 cartões originais e várias reproduções fazem parte da exposição Cartophilia – Uma História de Amor, que ficará na Galeria Piccola I, da Caixa Cultural, até 13 de janeiro.

O curador da mostra, Alexandre Magalhães e Silva, é bisneto do casal. Quando era mais jovem, ficava com a bisavó para os pais irem a festas à noite. Ela o deixava abrir as caixas e gavetas e, a cada objeto encontrado, novas histórias eram lembradas e contadas. “Eu sabia que estava tendo a oportunidade de manusear objetos que poderiam ser expostos em um museu e ainda convivia com a dona dessas relíquias, uma pessoa que tinha nascido no século passado”, ressalta Alexandre.

Depois da morte de Mariquinhas, aos 97 anos, o bisneto herdou 426 cartões-postais. “Fui em busca das lacunas dessa história. Queria muito contá-la. E, com a ajuda do meu tio-avô, consegui montar o roteiro da exposição”, revela o curador, que trabalhou no projeto por três anos.

Segundo Alexandre, o objetivo é mostrar como as pessoas faziam no passado para se aproximar, seduzir e conquistar por meio de figuras e palavras. “Espero que as pessoas se encantem com a coleção, com a arte dos cartões e entendam o olhar de uma época. Um século é pouco tempo para as coisas mudarem como foi o caso do cartão postal para a internet”.

Cenário da época
Com 17 anos de idade e filho do dono do jornal republicano A Federação, Dudu se aproximou da família Casado porque era amigo do  irmão de Mariquinhas. Aristides o incentivava a colecionar cartões-postais. No início, em 1903, Dudu começou a trocar cartões com Othilia, irmã mais velha de Aristides. Na época, a troca desses objetos era uma forma de cortejar e dar esperanças de casamento para as moças.

Mariquinhas também se correspondia com amigas e recebia cartões de admiradores, alguns anônimos e outros não, como Dudu. Em 1904, Othilia perdeu as esperanças e cedeu o pretendente à irmã mais nova. No mesmo ano, Dudu sofreu um derrame cerebral, foi obrigado a interromper os estudos e trabalhar no jornal do pai. O jovem e Mariquinhas se viam sempre que ela visitava Aristides e trocavam cartões quase todos os dias.

Em 1905, a visitas de Dudu eram mais freqüentes e duravam do almoço ao pôr-do-sol. Livros eram emprestados e, dentro deles, bilhetes com declarações mais íntimas que não podiam ser escritas nos cartões. Mais juras de amor foram trocadas e, em 1908, eles se casaram e tiveram três filhos. Viveram juntos por 31 anos até a morte de Dudu. Mariquinhas passou 44 anos da vida vestida de preto, em luto pela memória do marido e guardou todas as lembranças e objetos em caixas de madeira.

Cartophilia – Uma História de Amor – Exposição de cartões-postais trocados pelo casal Dudu e Mariquinhas entre 1904 e 1907. De hoje a 13 de janeiro, na galeria Piccola I, da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, anexo ao edifício-matriz da Caixa). Visitação de terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca.

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