Da mesma maneira e com a mesma liberdade que deste espaço surgiram aplausos para a atitude das autoridades de São Paulo no caso Grafite, também é preciso reconhecer que “carregaram na tinta” em quase todo o episódio da prisão do argentino Desábato. Não havia necessidade de tudo aquilo. Foi um jogo de cena armado apenas para merecer espaço nos diversos telejornais e páginas dos principais jornais e revistas. Tudo bem, o jogador cometeu um grave erro e tem que pagar por isso – agora, não existia a menor necessidade de algemá-lo e tratá-lo como um bandido qualquer. Pegou muito mal. Ele é um jogador de futebol, estrangeiro, figura pública – e, até provas em contrário, nada há que desabone a sua vida. Não é um assassino, seqüestrador, traficante, estuprador ou qualquer outra coisa do gênero. O desnecessário exagero pode provocar conseqüências e compreensíveis reações do povo argentino. Os campeonatos vão continuar e os clubes brasileiros, agora ou daqui algum tempo, terão que enfrentar Boca, River, Independiente e o próprio Quilmes na Argentina. Essa é uma rivalidade que vem de muito tempo e que, felizmente, nunca ultrapassou as quatro linhas dos gramados. Espero, sinceramente, que, apesar do ocorrido e dos abusos cometidos, ela se restrinja apenas ao campo de jogo.