Exatos 50 anos se passaram da época em que o então garoto Carlos Lyra unia suas primeiras composições ao repertório dos também jovens Edu Lobo, Roberto Menescal e Nara Leão no reduto carioca do Beco das Garrafas. Era 1954, e Carlos Lyra deixava uma marca eterna na MPB. Conheceu o poeta Vinícius de Moraes e, com ele, compôs alguns dos principais temas da bossa nova.
Lyra, portanto, se parabeniza e condensa os 50 anos de sua carreira nas 14 faixas do seu novo álbum, Sambalanço (primeiro lançamento do recém-criado selo MCK, distribuído pela Trama Independente) e 15º solo desde 1959.
O repertório, por se tratar de uma retrospectiva, é manjado. No entanto, vale a pena recordar algumas das jóias do baú de composições de Lyra – ainda mais porque os discos originais do músico são escassos. O bossa novista abre essa auto-homenagem com a faixa que dá nome ao disco. Em seguida, Lyra faz um pot-pourri de Lobo Bobo, Saudade Fez um Samba e Se é Tarde Me Perdoa (parceria com Ronaldo Bôscoli).
Os momentos mais intensos do disco são, naturalmente, quando Lyra interpreta suas canções letradas por Vinícius: Gente do Morro, Minha Namorada, Mas Também Quem Mandou, Você e Eu/Coisa Mais Linda, Pode Ir e Maria Moita.
De participação especial, Carlos resolve em família. Faz duo com a filha Kay Lyra (Pode Ir e O Barco e a Vela) e conta com o acompanhamento do sobrinho Cláudio Lyra em O Barco e a Vela.
Como Lyra não pôde inserir mais do que 14 faixas, algumas preciosidades essenciais de sua obra ficaram fora, a exemplo de Pobre Menina Rica e Maria Ninguém.