O Tio Patinhas foi criado a partir de uma personagem de Charles Dickens, mas despertou a ira de quem via nele, mais que um velho avarento e ranzinza, o modelo do capitalista selvagem que deveria ser combatido. Como o chileno Ariel Dorfman, autor do raivoso Para Ler o Pato Donald, livro em que desancava a família pato. Hoje os tempos são menos tensos e pode-se ler as histórias do velho tio – curiosidade: é o único personagem da família Disney, povoada de tios e sobrinhos, que tem pais e irmãs – sem patrulha ideológica. A saga elaborada por Don Rosa, na edição brasileira, teve suprimida um prólogo em que a bruxa Maga Patalógica tentava voltar no tempo para roubar a moedinha número 1 no instanmte em que ele a recebia por seu primeiro trabalho. Mas o restante ganhou uma edição caprichada, criada a partir das pistas deixadas por Barks. Don Rosa ainda teve o cuidado de submeter o roteiro de sua história ao próprio Barks – morto exatamente há três anos, em 25 de agosto de 2000 – e a outros “especialistas” na obra do mais famoso quadrinhista Disney para corrigir eventuais erros.
Nos Estados Unidos, a saga é uma das primeiras histórias publicadas nas novas cinco revistas que serão editadas até o final do ano. A nova editora é a Gemstone e dois volumes já estão nas lojas, em fomato americano. Mas as novidades param aí mesmo: a editora já anunciou que vai publicar apenas histórias antigas e outrs produzidas em outros países. A maior curiosidade é a publicação de uma história dos escoteiros Huguinho, Zezinho e Luizinho escrita por Carl Barks, mas com arte atualizada, do holandês Daan Jipes (a versão original foi desenhada por Kay Right).