A década de 80 é considerada um marco no rock brasileiro. Dos encontros em garagens, quadras e pequenos palcos surgiram as primeiras bandas brasilienses de rock. Muitas delas ganharam projeção nacional e suas músicas se espalharam pelo Brasil. A única ainda em atividade regular é o Capital Inicial, que faz turnê pelo Brasil com o CD Gigante!, lançado no ano passado, prepara um disco-tributo a banda Aborto Elétrico e afirma estar na melhor fase de sua carreira.
Há alguns anos, o vocalista Dinho Ouro Preto já tinha em mente o projeto de produzir um disco-tributo ao Aborto Elétrico e agora vai concretizá-lo. O grupo era formado por Renato Russo (baixo e voz), Fê Lemos (bateria) e André Pretórios (guitarra) em sua primeira formação. Depois saiu Pretórios e entraram Ico Ouro Preto (irmão de Dinho e co-autor de Ainda é Cedo) e Flávio Lemos (irmão de Fê, ambos hoje no Capital Inicial). O Aborto fez sucesso em um curto período de existência, de 1978 a 1982. Dele, surgiram a Legião Urbana e o Capital Inicial. “Se hoje sou músico é por causa do Aborto Elétrico. Esse CD será uma homenagem e um agradecimento”, disse o vocalista Dinho Ouro Preto, em entrevista ao Jornal de Brasília.
O grupo se refere ao disco, que está previsto para ser lançado em julho, como de projeto e não de carreira. “Não são canções nossas. É um resgate de parte do material deixado pela banda. Uma lembrança dos shows na 111 Sul”, explica Dinho.
De acordo com o vocalista, as músicas do Aborto Elétrico nunca foram compiladas em um CD e agora é o momento de trazer à tona e apresentar para os jovens fãs do rock´n´roll. “Um terço do que a banda produziu não foi gravado, não se acha um disco com todas as músicas, muitas delas serão inéditas para o público”, revela Dinho. Mas há também aquelas que se tornaram famosas na voz de outras bandas, como Música Urbana, Veraneio Vascaína e Fátima, do Capital Inicial, e Que País é Esse? e Geração Coca-Cola, da Legião Urbana.
inédito Os fãs do Capital Inicial vão ter que esperar um pouco para ouvir um disco inédito. Apesar de já está compondo, Dinho diz que só em 2007 o grupo deve lançar um CD de músicas inéditas, ainda sem formato. “Vamos ficar mais ou menos um ano e meio trabalhando em cima do disco-tributo ao Aborto, depois partimos para estúdio para gravar um inédito”, afirma.
O Capital Inicial surgiu em Brasília em 1982 e é formado pelos irmãos Fê (bateria) e Flávio Lemos (baixo), Dinho (vocal) e Yves Passarell (guitarrista que substituiu Loro Jones, em 2002). No início, o grupo passou por muitas dificuldades. Os shows eram feitos para poucas pessoas, muitos discriminavam os roqueiros por sua postura punk. “Era complicado fazer rock, muito difícil mesmo. A gente achava que não ia dar certo, via aquilo como uma brincadeira”, avalia Dinho.
Mas aos poucos, eles foram ganhando espaço. Conquistaram o Brasil e mudaram para São Paulo. Viajavam pelo País fazendo shows em diversas cidades. Mas no início dos anos 90, divergências musicais e pessoais fizeram com que a banda desaparecesse da mídia.
Retomada Depois de um tempo afastados, em 1998, o Capital Inicial resurgiu nas paradas de sucesso com o CD Atrás dos Olhos. “Nos reunimos e decidimos retomar o Capital. Tínhamos muitos defeitos, cometemos erros com a inexperiência e com o excesso de drogas. Deixei passar muitos erros, músicas que estavam inacabadas e arranjos desafinados”, lembra o vocalista.
A partir daí, a banda reconquistou o espaço no mercado fonográfico brasileiro. Além dos antigos fãs, encontrou um novo público, adolescentes que não conheciam seus primeiros discos.
Atualmente, o grupo se considera na melhor fase de sua carreira e também do rock´n´roll, que, na opinião de Dinho, está mais maduro e popularizado. “Estamos mais velhos, mais experientes e compomos melhor. Essa retomada do Capital foi uma segunda chance para a banda. E espero que o público continue prestigiando o nosso trabalho. Obrigado ao Brasil e, principalmente, aos nossos conterrâneos brasilienses”, conclui Dinho.