Ed Motta explica que precisa cantar Manuel nos shows que faz nos finais de semana “para pagar as contas”. Com 20 anos de carreira recém-completados, o músico revela que não sairia mais de casa para trabalhar, se pudesse. “Sou artista performático por questão de sobrevivência, mas gosto muito mais de compor. Se fosse milionário como Paul McCartney só lançaria discos, não faria shows. Estou adorando essa fase agora, de não ter que provar nada para ninguém no palco”, confessa Ed.
Atualmente ele está ensaiando 7 — O Musical, espetáculo que estréia nesta semana, com a assinatura da dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller e músicas do compositor. Fã dos musicais da Broadway— ele arrematou de um colecionador quase 3 mil discos de vinil com trilhas do gênero —, Ed aproximou-se de Cláudio e Charles ao assistir à montagem de Company, de Stephen Sondheim, feita pela dupla em 2001.
Voltaram a conversar dois anos depois, quando o cantor mostrou composições com forte pegada teatral. As músicas ganharam letras de Botelho e Möeller assinou o texto de uma Branca de Neve sob a ótica da madrasta.
Nascia aí o soturno 7 — o Musical, estrelado por um elenco que reúne nomes manjados do gênero como Gottsha e Alessandra Maestrini (que faz a Bozena no seriado Toma Lá, Dá Cá) e algumas surpresas como Rogéria e a cantora Elianna Pittman, em sua estréia na atuação.
“Quando fomos conversar com o Ed, notamos que a música que ele nos mostrou não era nada parecida com os discos dele. O Charles teve a idéia da história da mulher que perde o marido e procura uma cartomante, mas precisa matar uma pessoa para ter seu desejo atendido. Não é uma comédia musical leve”, avisa Botelho.
Aprendizado
Para Ed, o musical foi a oportunidade de aprender a trabalhar em grupo. “Sempre trabalhei de forma centralizadora, pensando no que estava bom para mim. Está sendo como numa relação de amor, de perguntar: ‘Está bom para você?’”. Com planos de lançar CD novo até o fim do ano, além de outro álbum com a trilha do musical, Ed garante que nunca se acomodou. “O disco novo será diferente de tudo que já fiz. Mas tenho vontade de fazer outros musicais também”, avisa o cantor, de 36 anos.
O musical é o primeiro espetáculo autoral da dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller, referência do gênero. “O Brasil tem mania de comer o requentado. Nada é 100% original. É sempre fulano interpreta alguém”, critica Ed.
“O meu interesse pelos musicais começou pelo jazz. Mas nunca tive grandes esperanças em trabalhar nisso, tanto que coloquei algumas dessas composições nos meus dois últimos discos”. Na hora de compor, Ed confessa que não pensa em agradar ninguém. “Nem mesmo a mim. Vou fazendo, independentemente do resultado. Às vezes até eu mesmo acho chatíssimo, mas termino mesmo assim, vou me acostumando”, conta.