Vera Holtz precisou apenas de um dedo de prosa com sua família para compor Generosa, a personagem que interpreta em Cabocla. Durante a conversa na pequena Pereiras, cidade do interior de São Paulo, a atriz recordou alguns hábitos interioranos, como a pontualidade nas refeições e a mania de reunir a família sem qualquer motivo. “É uma coisa muito lúdica. A tia Deni foi a maior fonte de inspiração neste processo”, conta a atriz de 51 anos.
Nascida em Tatuí, no interior de são Paulo, é a primeira vez que Vera interpreta uma típica caipira. “O lado rural está muito presente em mim agora. Antes, tinha dificuldade de gostar do mato e por isso me achava urbana. Mas não tem jeito, está no sangue”, lembra aos risos.
Generosa também permite que a atriz relaxe em relação ao seu forte sotaque. Bem ao contrário do que vem ocorrendo em seus mais de 20 anos de profissão, tempo no qual Vera tenta amenizar o jeito interiorano de falar.
cômicaVera tornou-se conhecida do público ao interpretar a cômica Dos Anjos, de Barriga de Aluguel, em 90. Daí veio uma seqüência de tipos engraçados, como Alice Penn-Taylor, de Vamp, em 91, e Querubina Praxedes, de Fera Ferida, em 93. Mas são as personagens dramáticas que mais agradaram à atriz. A alcoólica Santana de Mulheres Apaixonadas encabeça a lista.
Segundo Vera, a personagem da trama de Manoel Carlos foi fundamental em sua carreira. “Ela atingiu um status muito importante ao incentivar o fim do vício em algumas pessoas. Só de imaginar que vários dependentes procuraram ajuda é uma vitória”, comemora.
Por isso mesmo, Vera ficou ainda mais entusiasmada ao saber que Generosa também fazia a linha dramática. A atriz explica que seria difícil engatar na comédia logo depois do trabalho em Mulheres Apaixonadas. “Interpretar a Santana foi desgastante demais”, acredita. Tanto que a atriz está pronta para fazer rir novamente.
Mas, não é ainda em Cabocla que Holtz vai fazer os espectadores rir. Na trama, Generosa é uma mulher séria que está provando, aos poucos, que é muito mais que a simples esposa de Felício, vivido por Sebastião Vasconcelos. Por um lado, ela é o tipo que leva a família com pulso forte. Por outro, Generosa faz jus ao nome.
Vera explica essa dualidade: “É o comportamento da mulher cabocla, difícil de dobrar, mas de bom coração”. Tanto que as brigas em família são comuns. A começar pelas discussões com Tina, personagem de Maria Flor. A relação entre mãe e filha não é das melhores. “É uma questão de princípios. Para Generosa, é inaceitável as filhas gostarem do mesmo homem”, argumenta.
É exatamente o mistério que envolve o sumiço da filha Rosa, ainda sem intérprete definida, que mais instiga a curiosidade da atriz. Tanto que Vera chegou até mesmo a inventar características para ativar a imaginação. “Ela deve ser autoritária e cheia de vontades. Acredito que a Rosa também mandava na mãe”, arrisca.