Falou polêmica, é com ele mesmo. Tanto mais se o interlocutor não se der ao trabalho de esperar que o ilustre satisfaça curiosidades básicas. Como Mary Poppins, Caetano Veloso não costuma explicar nada. E não há de ser qualquer tipo de explicação, aliás, a motivar o não menos distinto público a brigar por um lugar na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional, onde Caetano se apresenta de hoje a sábado.
Desta vez o baiano leonino (ele completará 62 anos no próximo dia 7 de agosto), que é brilho por si só, não estará sozinho. Acompanham-no Jacques Morelenbaum (que também empresta seu talento ao cello), o violonista brasiliense Lula Galvão, Jorge Helder (também natural aqui) no contrabaixo, Pedro Sá na guitarra, Léo Reis na percussão, Carlos Bala na bateria e, com mais 21 músicos, a Orquestra Foreign Sound (homônima do CD).
Com cenografia de Hélio Eichbauer e iluminação de Maneco Quinderé, o espetáculo que Caetano traz a Brasília é o mesmo que vem fazendo idêntico sucesso de seu último CD pelo Brasil afora. Segundo a produção, “um show de som estrangeiro para brasileiro ver e ouvir”.
Esta nova fase de Caetano Veloso já rendeu panos para manga. Não faltou quem quisesse saber o porquê do moço, um bom malabarista da língua portuguesa, preferir o idioma americano para povoar todo um trabalho.
Isso também pouco importa. O que passa pelas mãos de Caetano, de uma forma ou de outra, cai macio no gosto do brasileiro nosso de cada dia. Assim, é com a maior familiaridade que ele faz desfilar músicas como o clássico Diana, de Paul Anka, que já invadiu as rádios, ao lado das demais do CD, quase todas em inglês. Na abertura, engata um contraponto com Não tem Tradução, de Noel Rosa, e apresenta, de sua autoria, a inédita Diferentemente. Há de ser uma feliz degustação para sua platéia.
Serviço
Caetano Veloso e Orquestra Foreign Sound – De hoje a sábado, às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos: R$ 140 (inteira) e 70 (meia, para estudantes e doadores de agasalhos)