Um funcionário público do Reino Unido será processado, conforme a lei britânica sobre publicações obscenas, por um blog em que escreveu uma história fictícia de seqüestro, estupro e assassinato das integrantes do grupo feminino de música pop Girls Aloud.
O Daily Mail e outros tablóides britânicos comparam o caso protagonizado por Darryn Walker à censura, em 1960, do livro O amante de lady Chatterley, de D.H. Lawrence.
Walker foi acusado de publicar seu artigo em um portal estrangeiro que reúne diversas modalidades de fantasias pornográficas.
A Internet Watch Foundation, entidade que vigia material obsceno publicado na rede, alertou a Polícia Metropolitana, que decidiu agir após consultar a Procuradoria.
Até agora, a maioria de casos relacionados à lei sobre publicações obscenas vinha de revistas e de DVDs.
Sancionada em 1959, esta lei declara ilegal a publicação de material que “corrompa quem o veja”. No ano seguinte, ela motivou seu caso mais polêmico: o processo contra a editora Penguin pela publicação de O amante de Lady Chatterley.
Durante o julgamento, o promotor Mervyn Griffith-Jones apelou ao machismo, perguntando aos jurados se o romance era “um livro que gostariam que suas esposas lessem”.
O júri absolveu a editora, que, graças à publicidade involuntária obtida, conseguiu vender, em um ano, mais de dois milhões de exemplares da obra, originalmente lançada em 1928.
Com muito menos ambições literárias, o obscuro funcionário britânico descreve em 12 páginas o seqüestro e mutilação das cinco integrantes do grupo.