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Arquivo Geral

06/03/2006 0h00

Mulheres comuns, em cinco diferentes estados brasileiros, em situações corriqueiras. As semelhanças e diferenças no modo como as mulheres lidam com assuntos básicos e universais do cotidiano feminino. O filme Mulheres do Brasil, estréia da diretora Malu de Martino em longas-metragens, chega aos cinemas na próxima sexta-feira, dia 10, para emocionar. Com elenco de grandes atrizes brasileiras, o filme mistura ficção com documentário. E o resultado é positivo.
Esmeralda, Telma, Ana, Martileide e Laura são as personagens fictícias, mulheres comuns que vivem em diversas cidades brasileiras. Elas protagonizam as cinco histórias que compõem o longa da cineasta Malu de Martino. Cada uma delas tem aliado à ficção um caráter documental. Já era de se esperar, pois a diretora tem mais de 20 anos de experiência em documentários. “Resolvi fazer essa mistura, porque é um universo grande. Eu quis que tivesse mais mulheres do que aqueles personagens da ficção, que tivessem também as mulheres que participaram da minha pesquisa”, revelou a diretora, em entrevista ao Jornal de Brasília.
A linguagem do filme é simples e direta. “A idéia é que o espectador pense que é algum conhecido que conta aquela história”, diz Malu. “O público vai se identificar e também encontrar situações e pessoas que um dia conheceu”, espera a diretora.
A primeira história, escrita pela dramaturga baiana Aninha Franco, é de Esmeralda (Camila Pitanga), baiana da pequena Bom Jesus da Lapa que vai para a cidade grande tentar uma vida melhor. A jovem inspira confiança nos seus pais, que a consideram uma santa. “Ela é de família muito católica e faz um contraponto, se mostrando uma mulher perversa”, conta a diretora. Esmeralda não hesita em se desviar de sua tão bem planejada trajetória e seguir caminho pontuado por riscos, cobiça e traição.
RendeiraA segunda história – escrita por Lúcia Guiomar Teixeira e Babe Lavenère – é ambientada em Maceió (AL) e traz a atriz Luana Carvalho no papel de Ana, uma universitária em crise. Ao fazer um trabalho para a faculdade na praia do Pontal da Barra, onde são famosas as rendeiras, ela conhece o casal formado por uma rendeira (Dira Paes) e um pescador (Lucci Ferreira). As conversas entre as duas fazem com que Ana reveja seus valores e perceba que está em um momento de mudanças. “Ela entende que identidade é uma coisa que você precisa buscar e achar o seu caminho. A idéia é soltar umas certas amarras para procurar esse caminho”, explica Malu.
A diretora se baseou em uma história real para criar o texto da terceira personagem. No Rio de Janeiro, Telma (Roberta Rodrigues) é uma porta-bandeira apaixonada por Carnaval e trabalha para ajudar a pagar as contas da família, pois sua mãe é cega e sua irmã, uma criança. Ela se prepara para brilhar na avenida, como porta-bandeira da Escola de Samba Grande Rio e repetir o sucesso que um dia sua avó e sua mãe conquistaram. Mas um tombo na avenida faz com que ela pense que seu mundo acabou. “Essa história é para conhecer além do que a gente normalmente vê. Essas pessoas passam o ano inteiro trabalhando para aquele único dia. Existe muita responsabilidade para que tudo dê certo”, diz Roberta Rodrigues.
A atriz carioca, de 23 anos, fez uma longa preparação para fazer a personagem. Ao saber que seria uma porta-bandeira, resolveu desfilar em uma escola de samba como passista. Durante cinco meses, acompanhou todos os ensaios da Acadêmicos da Grande Rio e, no ano passado, saiu na avenida como uma das porta-bandeiras. “Já tinha desfilado, mas não como porta-bandeira. Vivenciei aquele momento das comunidades da escola de samba, a dedicação exclusiva. Uma coisa que o público normalmente não conhece e agora vai conhecer”, conta a atriz, que apesar de jovem já participou de filmes como Cidade de Deus e O Diabo a Quatro, e novelas como Mulheres Apaixonadas e Cabocla, além das séries Cidade dos Homens e JK. “Sou abençoada. Tenho muita sorte, sou nova e com tantos trabalhos. Estou atraindo coisas boas”, orgulha-se.
Em Curitiba, a personagem criada pela escritora gaúcha Maria Helena Weber é Martileide (Carla Daniel), uma balconista de um café na capital paranaense e colega de Rita (Deborah Evelyn). Martileide, inconformada com a vida sem conforto que leva num bairro pobre da cidade, se apaixona pela voz de um locutor de rádio e fica imaginado que ele é uma pessoa perfeita. Até que o conhece. “Ela é capaz de fazer qualquer coisa para essa voz, mas quando isso acontece, a história tem uma mudança de rumo”, conta a atriz Carla Daniel, que comemora o sucesso da novela Alma Gêmea, em que interpreta Zulmira. “A parte documental dessa história fala das profissionais do sexo de Curitiba. Não é só por dinheiro que uma mulher passa por isso”, diz a diretora”.

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