O Brasil lidera o ranking mundial de mulheres esterilizadas, com a China e a Índia. Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que 44% das brasileiras em união estável são laqueadas, um quinto delas com menos de 25 anos, idade limite para esta cirurgia desde 1999. Por falta de acesso a outros meios anticoncepcionais como o DIU, mais de 31 mil mulheres optaram, no ano passado, por fazer uma laqueadura.
Apesar de irreversível, a laqueadura é largamente difundida no Brasil pela inacessibilidade da mulher de classe mais baixa a métodos anticoncepcionais diferenciados, por desconhecimento de outros meios de controle de natalidade, ou para evitar efeitos colaterais da pílula.
“Ainda há uma longa trajetória para que ocorra uma mudança cultural e plena adesão deste contraceptivo, mostrando às autoridades e à população em geral suas inúmeras vantagens, a começar pelo preço”, lembra Juan Díaz, assessor médico para América Latina do Population Council.
Um terço ou mais das mulheres em todo o mundo passam pela ligação tubárea. Após ser regulamentada pelo Ministério da Saúde, o número de mulheres e homens que optaram pela esterilização cresceu 12 e 29 vezes respectivamente, entre 1999 e 2003. Desde então, mulheres com mais de 25 anos que tenham pelo menos dois filhos podem fazer a cirurgia. Os critérios, no entanto, enfrentam resistência dos médicos, que consideram a mulher de 25 anos jovem para a esterilização.
Na primeira metade dos anos 90, pelo menos a metade das mulheres que ficou grávida no país não estava programada para tal fato. Em termos comparativos, no âmbito mundial, se tomarmos como referência um bilhão de casais, 350 milhões não podem ou não planejam suas famílias.
Segundo estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 123 milhões de mulheres, em particular nos países subdesenvolvidos, não controlam a natalidade e quase 40% dos casos de gravidez que ocorrem por ano não são desejados – dos quais seis em 10 resultam em aborto induzido.