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Bossa nova segundo Tom Zé

Arquivo Geral

05/12/2008 0h00

Anna Beatriz Lisbôa, da redação do clicabrasilia


Tom Zé chega a Brasília nesta sexta-feira (5) para o lançamento de seu novo disco, Estudando a Bossa – Nordeste Plaza, em apresentações no Teatro da Caixa. O disco marca o aniversário de 50 anos da bossa nova e mais um trabalho na série de releituras e reinvenções de gêneros musicais que o músico vem empreendendo desde que lançou Estudando o Samba, em 1976.


Na verdade, pode-se dizer que toda a carreira de Tom Zé é dedicada à metamorfose, à transformação e à subversão de tudo o que se tem por convencional na música. “Cada disco é um suicídio artístico”, ele explica a respeito de seu processo criativo. De fato, seu trabalho está fundado na construção e desconstrução de conceitos.


No caso de Estudando a Bossa, ele surpreende dando um toque inusitado ao que talvez seja o gênero mais institucionalizado do cenário musical brasileiro. O banquinho e o violão extremamente cariocas da bossa nova ganham cores de uma brasilidade maior, mais abrangente e – por que não?– mais global. No entanto, o clima carioca inevitavelmente permeia seu trabalho. “Tive que contemplar a paisagem do Rio de Janeiro, lugar onde a bossa nova foi parida. O carioca é o humor nacional em plantão cívico. Tentei incorporar essa coisa de tratar os assuntos com leveza, de tratar os próprios hábitos de maneira brincalhona”, diz.


Toda a paixão que Tom Zé tem pelo gênero dá o tom a cada uma das 14 faixas do disco. “A bossa nova não pertence mais ao cenário musical. Ela está na nossa mesa, no nosso jeito de comer, de vestir, na nossa capacidade de dialogar com o mundo”, explica. Sobre a revolução cultural que gênero causou no Brasil, ele diz: “A bossa nova identificou para o mundo esse imenso buraco amarelo que era o Brasil. Ela apresentou o Brasil como um país apto. Ela o tirou do estágio de exportadora de matéria-prima, que é o grau mais baixo de aptidão humana, e o elevou ao estágio de exportador de arte, o grau mais alto”.


A irreverência, o jogo inteligente de palavras e o conhecimento enciclopédico que Tom Zé tem pelo assunto tornam o disco todo uma verdadeira aula de cultura brasileira. Em João nos Tribunais, o músico nos explica, à sua maneira, a origem histórica da bossa nova. Já em Amor do Rio, ele se junta a Zélia Duncan para versar construção da ponte Rio-Niterói. Na canção, ele defende a tese de que foi o gênero que inspirou a engenharia da ponte. “Os engenheiros traduziram a bossa nova para cimento, aço e concreto”, afirma.


A pluralidade do disco é reforçada pelas muitas colaborações entre Tom Zé e músicos de formações diversas, como Fernanda Takai, Zélia Duncan, e David Byrne, do Talking Heads. O músico explica que enviou uma cópia de Chega de Saudade, primeiro disco de João Gilberto, para cada um dos cantores com quem faria parceria.


Quanto à participação de David Byrne, a história de Tom Zé com o músico é antiga. Na década de 90, Byrne o convidou para ser o primeiro artista contratado pela gravadora Luaka Bop, fundada por ele. Pelo selo novaiorquino Tom Zé lançou a compilaçãoThe Best of Tom Zé – Brazilian Classics, vol. 4 e The Hips of Tradition (As Ancas da Tradição) – Brazilian Classics, vol. 5, primeiro trabalho inédito, depois 12 anos. “Músicos estrangeiros sempre estiveram presentes na bossa nova. David Byrne se apaixonou pela idéia e fez um ótimo trabalho”.


Sobre suas apresentações ele diz que está sendo “uma felicidade fazer o show para a platéia. Nunca estive em uma fase tão feliz”. E faz o convite para o público brasiliense: “Ninguém vai se entediar, porque eu tenho ojeriza ao tédio!”.

Serviço

Dias 5, 6 e 7 de dezembro. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Evento não recomendado para menores de 10 anos. Informações: 3206-9448. Onde: Teatro da Caixa

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