Após uma bem-sucedida campanha pelo perdão da dívida de alguns dos países mais pobres do mundo, o roqueiro-ativista Bono quer agora convencer os donos do mundo a tornar o comércio mais vantajoso para a África.
Na última escala de uma viagem por seis países do continente, Bono disse na quarta-feira que há um novo clima de otimismo a respeito da África e que novos empreendedores estão surgindo, mas que os subsídios agrícolas e outras barreiras comerciais em grandes mercados, como EUA e Europa, ainda impedem maiores progressos.
"Estamos contra interesses velados e poderosos grupos de pressão. Os movimentos sociais nos darão musculatura política e isso torna (a campanha) factível, mas será uma briga grande", acrescentou o músico.
O líder do U2 visitou fábricas de tecidos e roupas no Lesoto e na Tanzânia, onde muitas empresas fecharam, com a consequente perda de empregos, devido ao fim do sistema de cotas de acesso a mercados pelo Acordo Múltifibras, que beneficiava os produtores de países pobres. Os produtores asiáticos e stão ocupando esse espaço.
No Mali, Bono visitou uma comunidade que cultiva algodão para ver de perto o impacto dos subsídios norte-americanos sobre o setor, que estaria reduzindo os preços globais e arruinando os produtores africanos.
Em Gana, Bono disse que a incerteza sobre a Lei da Oportunidade e do Crescimento Africanos, que dá aos países em desenvolvimento maior acesso ao mercado dos EUA, está pesando como uma "Espada de Dâmocles" sobre a cabeça dos países africanos.
O roqueiro começou o dia reunindo-se com empresários ganenses para melhor entender as restrições a seus negócios. "As pessoas precisam de ajuda, porque ainda h á pobreza, mas mais importante para todos é a necessidade de comércio", afirmou ele à platéia. "A África deveria conseguir criar uma alternativa para a dominação chinesa no setor do vestuário."
Para conseguir o perd ão da dívida dos países mais pobres, Bono usou sua influência junto ao público e manteve reuniões pessoais com líderes mundiais.