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Bono acusa países ricos de descumprir promessas feitas à África

Arquivo Geral

29/06/2006 0h00

Os países mais ricos do mundo não estão cumprindo as promessas que fizeram para a África há um ano, de fornecer as drogas do coquetel contra a Aids, expandir o comércio e aumentar a assistência ao continente, disse o cantor e ativista Bono, líder do U2.

Bono e o músico irlandês Bob Geldof estão engajados numa campanha global para obter mais ajuda para a África. No ano passado, eles organizaram shows Live 8 em todo o mundo para pressionar o Grupo dos Oito (G8), que reúne as principais nações industrializadas do planeta, a combater a pobreza.

"Eles começaram a escalar um Everest, mas no ano passado se perderam no campo base", disse Bono numa entrevista depois da divulgação de um relatório sobre os progressos na área, elaborado pelo grupo Data (Dívida, Aids, Comércio na África).

"Gosto de pensar que o relatório do Data é uma espécie de GPS para que voltemos para o caminho certo e escalemos a montanha", disse Bono, que formou o Data junto com Geldof.

O relatório disse que os países ricos cumpriram a promessa de cancelar as dívidas de 19 países pobres, a maioria da África, e que ainda há 44 países candidatos ao perdão por meio de programas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

"No geral, houve um aplauso para a dívida, meio aplauso para a Aids e vaias e assobios para o que está acontecendo no comércio", disse Bono.

O documento afirmou que o perdão do pagamento das dívidas de Camarões, Moçambique, Tanzânia, Uganda e Zâmbia já se traduziu em mais investimentos em educação, saúde e no combate ao HIV/Aids.

Mesmo assim, o texto afirma que é preciso fazer muito mais para garantir o acesso ao coquetel anti-Aids. O financiamento global do combate ao HIV/Aids cresceu de 300 milhões de dólares ao ano, no fim dos anos 1990, para US$ 8,3 bilhões em 2005. Na África, o número de pessoas com acesso ao tratamento subiu de 100 mil em 2003 para 800 mil no ano passado.

O Data disse, porém, que os doadores estão gastando metade da quantia necessária para atingir a meta de levar o tratamento a pelo menos 4 milhões de africanos até 2010.

O relatório elogiou os Estados Unidos por ser o maior doador para programas de combate ao HIV/Aids na África, e a Grã-Bretanha e a França por suas contribuições para o Fundo Global de Combate à Aids, à Tuberculose e à Malária, organização com sede em Genebra.

Canadá, Itália, Japão e Alemanha foram repreendidos pelo documento. O relatório também criticou o G8 pela falta de progressos no pacto global para o comércio, da rodada de Doha, que poderia abrir os mercados para os produtos africanos. Para o Data, falta aos países ricos ambição, senso de urgência e dedicação para ajudar a África através do pacto comercial.

Segundo o texto, dos países do G8, apenas a França está no caminho certo para cumprir a promessa de dobrar a ajuda à África até 2010.

Para honrar seus compromissos, os países ricos deveriam ter elevado a ajuda em 3,6 bilhões de dólares no ano passado, mas a quantia chegou a apenas 1,6 bilhões.

Os países do G8 teriam de aumentar os gastos para US$ 4 bilhões em 2006 para cumprir a meta, disse o relatório.

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