Orecente reajuste no valor do ingresso dos cinemas, que elevou o preço para R$ 15 nos finais de semana, colocando Brasília entre as praças mais caras do País, causou revolta nos espectadores. A alternativa encontrada pelos cinéfilos foi um boicote, previsto para o próximo domingo, dia 1º de agosto. O movimento surgiu por meio de um e-mail que circula na internet e faz um apelo para que ninguém entre nos cinemas nesse dia. O e-mail alega que um casal gasta, em média, R$ 50 em uma saída ao cinema. A revolta dos cinéfilos é grande e acreditam que o boicote não vai adiantar muito. “Devia haver um protesto desse toda semana. O prejuízo de um dia é recompensado nos outros, mas acho que vale a pena para mostrar que os clientes não estão satisfeitos”, diz a estudante de Engenharia Elisa Brasileiro, de 20 anos. Apesar de acharem que apenas um dia não vai adiantar, as pessoas ouvidas pelo Jornal de Brasília dizem que vão aderir e esperam o mesmo dos outros cinéfilos. “Acho importante manifestar discordância. O boicote é uma forma de protesto”, afirma a publicitária Carla Sollberger, 41 anos. Uma das maiores reclamações dos espectadores é a propaganda antes dos filmes. “As empresas pagam aos cinemas para que a propaganda seja exibida, a cada dia tem mais anúncios antes dos filmes começarem, mas o preço do ingresso só aumenta. Deveria era diminuir”, analisa Elisa. Carla concorda. “Não me incomodo de assistir aos traillers de filmes, é uma forma de escolher o que vou ver depois. Concordo, entretanto, que o patrocínio dos anunciantes deveria reduzir o preço final do ingresso”, protesta a publicitária. Para a universitária Maria Cecília Queiroz, de 21 anos, a propaganda é inaceitável. “Quando assino TV a cabo em casa é para não ver propaganda, da mesma forma acontece no cinema. Pago caro por um serviço e ainda tenho que ficar dez minutos vendo propagandas que não têm nada a ver com cinema?”, reclama, referindo-se aos comerciais de refrigerante, cerveja e operadora de celular que passam na telona antes dos traillers. As projeções nas salas do Cinemark do Pier 21 custam R$ 13 (matinê) e R$ 15 (noturno), de sexta a domingo. Nas quartas-feiras, o ingresso promocional é de R$ 10. As sessões de segunda a quinta valem R$ 12 (matinê) e R$ 14 (noturno). A mesma empresa opera no Taguatinga Shopping por R$ 11 nos finais de semana. A maior concorrente da Rede Cinemark em Brasília é o Grupo Severiano Ribeiro, que opera nos shoppings Pátio Brasil, ParkShopping, Brasília Shopping e Terraço Shopping. Os ingressos custam R$ 15 nos finais de semana, com exceção do Terraço, que cobra um pouco menos, R$ 13. As empresas Cinemark e Severiano Ribeiro informaram, por meio das assessorias de imprensa, que no momento não vão falar sobre o boicote. Os cinemas da rede Arco-Íris, que opera no Liberty Mall e Gama Shopping, operam com preço mais barato. Nos finais de semana, a inteira é R$ 12. Nos cinemas do Cine Academia, na Academia de Tênis, o preço é R$ 12 de segunda a quinta e R$ 14, de sexta a domingo. O proprietário Marco Farani explicou que o valor cobrado é o mercado que define. “Temos muitos custos, com impostos, funcionários, aluguel do filme. O preço é acessível”. Se for feita uma comparação, percebe-se que os cinemas cobram praticamente o mesmo preço. “Não há uma concorrência, eu não posso nem escolher. Não tem outra opção, quem gosta acaba indo, por isso eles não diminuem o preço”, reclama a empresária Jacqueline Bahiense, 37 anos.