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Bob Dylan por sexteto

Arquivo Geral

21/03/2008 0h00

O diretor Todd Haynes (de Velvet Goldmine e Longe do Paraíso) escalou seis atores diferentes para representar as várias facetas e fases de Dylan. Tudo começa com um garoto negro de 11 anos (Marcus Carl Franklin), que foge de uma instituição correcional e se apresenta às pessoas sob o nome de Woody Guthrie (lenda do folk norte-americano e ídolo para Dylan).

Há também um poeta – Arthur Rimbaud, papel de Ben Whishaw e provável referência ao clássico original francês – que faz breves intervenções ao longo do filme,  um cantor sensação da década de 60 que abandona tudo para se tornar pastor evangélico (Christian Bale), um jovem ator (interpretado pelo falecido Heath Ledger) que começa a despedaçar o seu casamento ao usufruir da fama, um roqueiro (Cate Blanchett), em conflito com imprensa e, de quebra, fãs sob um ritmo cada vez mais frenético.

Mas isso não é tudo: há ainda Billy the Kid (Richard Gere), o fora-da-lei do faroeste norte-americano que já foi tema de uma trilha sonora composta pelo próprio Dylan.

Clássicos
Ao longo de tudo isso, uma série de clássicos do bardo, em versões de outros artistas, costura a trama toda. Uma bela versão acústica de Tombstone Blues feita pelo veterano Richie Havens ilumina o início do filme. No restante, é a nova (ao menos para o sessentão Dylan) geração que dá roupagem contemporânea: Sonic Youth, Eddie Vedder, Yo La Tengo. Jim James e a banda Calexico aparecem em uma cena para tocar Going to Acapulco, em um dos momentos mais sensíveis do longa.

Todos esses elementos são trazidos à tela por Haynes não em capítulos bem-definidos, mas em uma abordagem ousada que dá margem para adentrar a poesia de Bob Dylan, que por várias vezes já flertou com o surreal. Todd Haynes usa cores e tipos de câmeras diferentes para contar essas nuances das letras do cantor.

Mas são os atores que se sobressaem: o garoto Marcus Carl Franklin faz o seu Dylan farsante com bastante propriedade e Heath Ledger também mostra que estava a caminho de se tornar o grande galã de Hollywood. Mas quem dá show é Cate Blanchett: em um papel masculino, a “rainha Elizabeth” impressiona, sem afetação ou barra forçada. Não faz o espectador esquecer que é uma mulher no papel do cantor, mas faz disso um trunfo para o seu desempenho.

O diretor
Constante promessa entre os diretores da nova geração do cinema americano, Todd Haynes causou ótima impressão com Não Estou Lá, quando o exibiu Festival de Veneza.

Era um projeto cercado de grande expectativa, tanto pelo gigantismo de seu tema – fazer cinebiografia de Bob Dylan não é para qualquer um – quanto pela originalidade da proposta. Seis atores interpretando fases e aspectos diferentes da vida do cantor e compositor também representam um diferencial que é o maior desafio.

O resultado desses ingredientes, segundo a crítica,  mostra a proposta do diretor como a evolução natural de um cinema que procura comungar pesquisa de linguagem e um certo grau de comunicação. Haynes conseguiu, enfim, captar o fluxo da vida e as metamorfoses que sofremos fugindo dos elementos que costumam servir de leito para a narrativa convencional.

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