Josiel Moreira, proprietário do Musical Center, é auto-intitulado fissurado por antiguidades fonográficas. “Fui freqüentador de sebos por muito tempo”, diz. Segundo ele, quando viajava para o Rio de Janeiro ou São Paulo não perdia a oportunidade de visitar uma dessas casas de raridades. “Enquanto o pessoal ia à praia eu corria para o sebo”, completa. Na década de 80, Josiel e seu sócio Isnaldo Lacerda comandavam o extinto Sebo do Disco (Venâncio 2000 e Taguatinga). O local foi uma das creches do Rock Brasília. Lançou em 1985 o primeiro álbum independente do estilo, intitulado Rumores – reunia os primeiros registros fonográficos das bandas Finis Africae, Escola de Escândalos, Elite Sofisticada e Detrito Federal. “Depois disso quase gravamos a Plebe Rude”, disse Josiel.
Segundo o dono do Musical Center, o sebo era um ponto de encontro de músicos. “A turma dessas bandas todas passava por lá”, lembra. Segundo ele, o Sebo do Disco foi o começo de um grande aprendizado. “Você convrsa sobre música, ao mesmo tempo vê os vinis, e sempre aparece alguma coisa nova”, diz. O criador do museu diz que seu dia-a-dia é nostálgico, semelhante ao do personagem Durval. “Meu maior prazer é poder reviver o passado”, conta. “Ouvir um LP é saber as gírias e conhecer a política da época em que foi gravado”, reflete. Uma vez por semana, rotineiramente aos sábados, Ricardo percorre as ruas do Guará e bate de porta em porta para pedir doações para o museu. “Passo com um carrinho de supermercado e recolho discos que as pessoas iriam jogar fora”, narra. A cada sábado, ele adquire para o Museu do Vinil álbuns raríssimos como Le Bateau, do DJ Big Boy, Tim Maia 73, Led Zeppelin 2, Bem Vinda, Amizade, de Jorge Ben, além de LPs do Red Hot Chilli Peppers dos anos 80, De Falla, Iggy Pop & The Stuges, Grand Funk e Miguel de Deus. “Tem gente que vem aqui quase todo o dia para ouvir uma determinada música”, conta Ricardo.