A música de Ary Barroso é universal. Não se limita ao samba e cruza oceanos: é uma aquarela de possibilidades. Assim é também o talento de Carlos Malta, um dos gigantes da música instrumental brasileira que foi escolhido para figurar no projeto O Brasil Brasileiro de Ary Barroso, do Clube do Choro, nesta semana. O multiinstrumentista – especialista em jazz, polca, tango e mais um manancial de gêneros – sobe ao palco da casa de chorinho ao lado do pianista Phillipe Baden Powell, filho e herdeiro de virtuosismo do gênio bossa-novista Baden Powell.
Malta e o jovem Powell fazem dobradinha para homenagear o compositor mineiro em uma performance ainda inédita. “Brasília verá em primeira mão”, conta o carioca. “Será uma apresentação toda baseada na obra de Ary. Apesar de ser somente uma brincadeira, estou chamando esse show de Bem-vindo à Arylândia”.
Segundo Malta, o que ocorrerá no palco do Clube do Choro será uma conversa musical, informal como Ary Barroso. “Faremos muita improvisação, mas em tudo vamos prestar reverência fiel às coisas melódicas de Ary”, ressalta. “Também não deixaremos de fora as letras, as poesias dele. Não vamos cantar, mas faremos citações de versos de músicas como Camisa Amarela, Inquietação e Risque”.
A performance da dupla de flauta e piano sairá do ordinário, das simples melodias. Risque, por exemplo, ganha um toque argentino, como definiu Malta. “Vamos criar uma atmosfera de tango, meio Astor Piazolla para essa música”, diz. “Ele moldou a música popular. A música de Ary não se encerra em si e permite que possamos trabalhar da forma que quisermos”, completa.
O repertório do show de Carlos Malta e Phillipe Baden Powell faz um passeio de quase duas horas pela Arylândia, sugerida pelo flautista e saxofonista carioca. A dupla percorre os memoráveis temas Na Batucada da Vida, Na Baixa do Sapateiro e, claro, Aquarela do Brasil, e faz uma interferência na música Inquietação, com frases melódicas de Consolação, do Baden pai.
Quanto ao bate-bola entre o veterano chorão e Phillipe Powell, Malta tece elogios ao pianista, apesar de sua carga genética. “É um dos grandes instrumentistas da nova geração, não só pelo parentesco, mas porque ele realmente é um dos nomes que encontrei de mais expressivos ultimamente”. O soprista também lembra da safra de candangos que, como Phillipe, encontram seu espaço ao sol na música instrumental, ao lado dos gigantes. “Brasília tem grandes músicos”, destaca. “Hamilton de Holanda e Daniel Santiago vieram daí, mas estão todos vindo para cá agora. Acredito nesse poder mágico que a música tem de transitar por diferentes idades. Traz renovação à música”.
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O Brasil Brasileiro de Ary Barroso – Show com o clarinetista Carlos Malta e o pianista Phillipe Baden Powell. Hoje, amanhã e sexta, às 21h30, no Clube do Choro (Eixo Monumental, próximo ao Centro de Convenções). Ingressos a R$ 10 (inteira), à venda no Garvey Park Hotel, sobreloja 3.