Quem tem mais de 40 anos não se esquece da figura ímpar de José Loredo encarnando o Zé Bonitinho, tirando do bolso da lapela um pente enorme e dardejando olhares lânguidos sobre personagens femininas de programas humorísticos. De lá até cá muita água já rolou, mas o personagem continua na ativa. Merece – e terá – um documentário a respeito.
De paletó alinhado, elegante como seu personagem mais famoso, ele aparece em frente ao hotel onde mora no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro, e posa descontraído para as fotos. Sobra disposição para quem tem nada menos do que 78 anos de idade.
Prestes a virar tema do documentário Câmera, Close — um dos bordões do personagem —, Loredo está feliz e não esconde isso de ninguém. Nem tem por que fazê-lo: “Sou o primeiro humorista a ter a vida documentada. Me sinto lisonjeado”.
São muitas as histórias a serem mostradas nesse trabalho, que já está sendo produzido, mas só chegará ao público no ano que vem. Nem tudo, como se vai ver, é hilário na vida desse ator incansável.
Loredo sofreu dos 12 aos 46 anos, por exemplo, com uma doença que o impedia de andar, teve tuberculose e foi internado num sanatório. Foi lá, trabalhando na rádio local, que ele descobriu seu talento.
“O público não sabe que eu passei por tanta dor”, adianta um dos personagens mais folclóricos do veterano A Praça É Nossa, do SBT.
Mas a vida de Loredo tem muita alegria também. A produção será farta ao mostrar esses aspectos, como uma turnê por Moçambique, na África, onde ele foi reconhecido por um policial de fronteira. Outra curiosidade é que o ator também sempre trabalhou como advogado. Hoje ele vai pouco ao escritório, já nas mãos dos dois filhos, Jorge Ignácio e Ricardo. Chico Anysio é um dos amigos velhos de guerra que aparecerá dando depoimentos, bem como a própria mãe de Loredo, Dona Luísa, de 98 anos.