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Belchior faz show gratuito na cidade

Arquivo Geral

31/05/2007 0h00

Belchior ficou famoso nos anos 70, quando participava dos saudosos festivais de MPB. Em < !--StartFragment -- > 1971, com apenas 25 anos, se mudou do Ceará para o Rio de Janeiro e foi logo ganhando o IV Festival Universitário da MPB (com a canção Na Hora do Almoço). Em menos de um ano, ganhou notoriedade por ter suas músicas gravadas por ninguém menos que a diva Elis Regina e marcou seu nome na música brasileira com clássico Como Nossos Pais. O músico está na cidade para uma apresentação única, hoje, às 19h, no Açougue Cultural T-Bone (312 Norte). O show faz parte da 20ª Noite Cultural T-Bone, que ainda conta com exposição de telas do artistas plástico Leonardo Autuori e música com Salomão Di Pádua, Sérgio Duboc (do lendário grupo Liga Tripa) e Vicente Sá, em um show de samba e poesia de breque, intitualdo Poetruca de Arapa.

No show, Belchior apresenta músicas do seu último trabalho, Auto-Retrarto (lançado em 1999), no qual o cantor fez novos arranjos (até mesmo com elementos eletrônicos) para os clássicos Como Nossos Pais, Apenas Um Rapaz Latino-Americano e Velha Roupa Colorida. Em entrevista ao Jornal de Brasília, ele falou de música brasileira (“Tom e Vinícius são inigualáveis, inimitáveis”); fama (“nunca quis ser uma celebridade: meu negócio é a glória!”) e afirmou que mesmo com quatro décadas de estrada, continua o mesmo Belchior de sempre: “Continuo apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Com as devidas ressalvas pelo rapaz”.

Como é sua amizade com o  “Pessoal do Ceará” (Fagner, Rodger, Teti)? Qual a importância que esses músicos tiveram na sua construção como pessoas/artista?

Belchior –
O contato com o assim chamado Pessoal do Ceará, continua importante como sempre. Foi em grupo e parceria que sonhamos e começamos a realizar toda essa aventura de fazer música e de participar mais ativamente da poesia cantada e do espírito transformador, tropical e de festa, que é a música popular do Brasil. Até hoje considero espiritualmente muito proveitoso ter começado minha arte e minha carreira entre amigos e parceiros sensíveis, poetas e interessados num Brasil mais fino, mais civilizado e com uma arte poético- musical contemporânea, brasileira e universal, de que nos podemos orgulhar.
 
Uma vez, numa entrevista, você brincou dizendo que era um dos maiores nomes da MPB no Brasil ( Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes) e que podia ser comparado, embora com margem de votos acirrada com Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Agora, sem a brincadeira, você se iguala a esses músicos?

 

Vamos deixar de brincadeiras! Tom Jobim e Vinícius de Moraes continuam, sem contestação, os fundadores da modernidade musical do Brasil, a dupla face artística mais finamente poética e de aceitação mais extensa e permanente dentro e fora do País. Inigualáveis, inimitáveis, serão sempre os compositores e letristas fontes, modelos nas palavras e nas canções de que os artistas da música se aproximarão para aprenderem tudo. Só na sala de jantar de minha casa – onde a cada canção que faço recebo o título de melhor e maior – meu nome pode ter comparação com o do mestre do refinamento sonoro do Brasil. Tom Jobim é o nosso Debussy. Dou graças a Deus e ao cartoreiro de também chamar-me Antonio Carlos, podendo ainda dizer que também tenho um Brasileiro que de me orgulhar em minha firma e marca registrada.

Essa entrevista foi em 1997. Hoje, dez anos depois, quem é o Belchior?

Um cidadão comum cujo ofício, em tempo integral, é fazer canções, escrever algumas letras de um possível cancioneiro sobre a vida que poderia ter sido e não foi. Ou seja, aprofundar a apresentar publicamente, nos mais diversos palcos, o gênio e o lirismo de minha geração, aquela que sonhou mudar o mundo e o Brasil e que eventualmente pode ter sido mudada por eles. Por isso e para isso, continuo apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Com as devidas ressalvas pelo “rapaz”.

Você ficou famoso primeiro pelas suas letras – interpretadas por outros artistas – e depois como cantor. Se acha mais letrista que cantor? Você tinha esse sonho de ser reconhecido na rua quando começou a estudar música?

 

Desde que comecei a interessar-me por música, sou um cantautor, um letrista que faz canções para serem cantadas por mim mesmo. Jamais esteve entre os meus sonhos este de ser reconhecido e parado na rua, pois definitivamente nunca quis ser uma celebridade: meu negócio é a glória! Se apesar dos óculos escuros que uso para as minhas lágrimas esconder , algumas beldades e conterrâneas me abordam na via pública é apenas porque, poeta pedestre, costumo parar em local proibido a transeuntes ou porque a juventude quer saber de mim o que pode ser quando crescer. Escrevo minhas letras e minhas músicas pensando primeiramente em mim, como cantor delas, que apenas eu devia gravá-las. Pelo que elas têm de característico e individual, um certo peso e sentido todo meus, não imaginei que outros grandes cantores viessem a interessar-se por elas. Minha surpresa e sucesso é ver que inúmeros grandes intérpretes escolheram muitas canções minhas para seu repertório e que as continuam cantando. Bem, não espalhem esta notícia por aí…Senão eu e o meu violão não teremos mais sossego.

Como era sua relação com Elis Regina? Seus melhores amigos da época da ditadura ainda são seus melhores amigos de hoje?

Desde o começo de meu interesse de amador e profissional pela música popular que acompanho Elis Regina: pelos discos, pelo rádio, pela televisão e sobretudo pelo noticiário de que era entre as cantoras brasileiras a que mostrava maior intuição na descoberta de suas canções e escolha de seus autores favoritos, principalmente entre os iniciantes. Para além de fã ardoroso, não tive muita relação pessoal com Elis, apenas o suficiente para que ela, em sua grande generosidade artística, escolhesse e gravasse algumas de minhas canções, entre as quais se acham Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, que figuraram no show e no álbum Falso Brilhante, e ainda brilham na voz da grande estrela. Quanto aos melhores amigos nos tempos da ditadura ah! estes continuam os melhores até os dias de hoje.

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