A energia do veterano B.B. King parece não ter fim. Aclamado como o “Rei do Blues”, o compositor, cantor e guitarrista tem dedilhado a velha Lucille, sua inseparável guitarra, nos últimos 50 anos. Depois do elogiado disco Riding With the King, em parceria com Eric Clapton, King atacou com um despretensioso CD de músicas natalinas; acabou faturando dois prêmios Grammy. Para a alegria dos fãs, o “Rei do Blues” está de volta com o CD Reflections. Desta vez, o cantor deixou o blues um pouco de lado para tocar canções compostas por outros artistas. A maioria das músicas são baladas e traz arranjos com cara dos anos 50. Na retaguarda, King escalou o experiente pianista Joe Sample e o baixista Nathan East, antigo colaborador de Clapton. Apesar de King ser melhor músico do que cantor, na hora de escolher o repertório do disco ele deu preferência às canções que fizeram sucesso na voz de ilustres cantores, entre eles Louis Armstrong, Elvis Presley, Sam Cooke e Nat King Cole. De Armstrong, a previsível What a Wonderful World, ganha uma versão com poucas mudanças. Cole e Cooke aparecem na canção (I Love You) For Sentimental Reasons, gravada por ambos no decorrer de suas carreiras. O “Rei do Rock”, Elvis, é lembrado na famosa Always On My Mind. Com King, a canção ficou mais parecida com a versão gravada pelo cantor Willie Nelson. O blues aparece discretamente em duas faixa, A Mother´s Love, gravada pelo bluseiro Earl King, e Tomorrow Night, composta por Lonnie Johnson. O disco também flerta com o jazz em I Need You So e I Want a Little Girl, gravada por feras do gênero como Lester Young, Errol Garner e Count Basie. King regravou ainda Word of Honor, lançada pelo cantor nos anos 50. O momento mais festivo do disco ficou com a primeira faixa, Exactly Like You. Reflections pode não ser a melhor maneira para conhecer a genialidade de B.B. King ou seu disco mais inspirado, isso não importa. O que vale a pena mesmo é saber que o Rei do Blues continua na ativa e se arriscando em projetos imprevisíveis como este.