O satírico documentário alemão Coquetel de Baratas, dirigido por Brigitte Krause, recebeu o Troféu Imprensa do 5º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), realizado na cidade de Goiás. Polêmico, o trabalho foi o centro dos comentários dos presentes ao evento. Um filme de ficção em que passo a passo todos os recursos naturais do planeta são vendidos como produtos e o mundo acaba sendo privatizado em sete dias foi o grande vencedor. Depois de mais de 21 horas de filmes na mostra competitiva, o longa-metragem canadense The Bottom Line – Privatizing the World recebeu o troféu Cora Coralina (melhor produção) e o prêmio de R$ 50 mil. A história gira em torno de um empresário que quer vender toda a água fresca do Canadá enquanto que o resto do mundo passa sede. A água foi a principal preocupação da maioria dos filmes participantes da mostra competitiva. O presidente do júri do festival, o ambientalista Washington Novaes, acredita na importância que a discussão deve ter na pauta dos grandes líderes mundiais. O filme considerado melhor longa-metragem foi o indiano Palavras na Água, do diretor Sanjay Kak. A obra mostra a força da mobilização popular que há 17 anos luta pela sobrevivência de um rio, que foi represado e desabrigou 400 mil pessoas. Palavras na Água levou para casa o prêmio de R$ 35 mil. Um misto de reportagem e ficção que conta a história do território de Burkina Fasso, situada numa região árida à beira do deserto do Saara, levou o prêmio Vilaboense. O filme italiano A Água do Nunca, da diretora Alessandra Speciale, mostra o sofrimento dos moradores da cidade com a falta d´água, que chega a custar um terço do que eles ganham. A produção brasiliense Verde como o Cacau da Bahia foi escolhida pelo júri popular e levou o Troféu Gonza. O documentário, dirigido pela jornalista Déborah Andrade, destrincha o trabalho de assentados da Reforma Agrária no sul da Bahia que se tornaram agroecologistas para preservar a região.