Pegue uma carinha bonita, misture influências pesadas de bandas como Pantera e Metallica, acrescente letras de protesto e mexa bem. Essa é a receita do primeiro CD de Pitty, uma moça com cara de má, mas cheia de boas intenções musicais. Nascida em Salvador, ela veio de uma banda de hard music, o Inkoma, na qual começou a cantar com apenas 15 anos. “O tempo passa muito rápido, e agora, dez anos depois, estou lançando o meu primeiro trabalho. Isso é muito gratificante”, afirma a menina de voz rouca. O CD, Admirável Chip Novo, lançado nacionalmente na semana passada, traz 11 faixas, repletas de letras que fazem alusão às novas tecnologias, mesclando termos de sistemas de computador com sentimentos comuns às jovens cabeças. Já de início ela recebeu bênçãos de nomes como Paulinho Moska, que toca violão em Temporal e Liminha que toca baixo na quarta faixa do CD, o que imprime ao trabalho um ar bastante profissional. Isso sem falar de uma canção interativa do CD que lança, também, o primeiro clipe da cantora. As letras e melodias, todas escritas por Pitty, têm um teor marcante, sem ser excessivamente ativistas. A faixa título, Admirável Chip Novo, por exemplo, faz uma crítica ao sistema e à forma com que as pessoas aceitam sua situação: “Pense, fale, compre, beba/leia, vote, não se esqueça/use, seja, ouça, diga/tenha, more, gaste, viva”.
“Minhas influências? Gosto de muita coisa, de Dead Kenneds a bandas que lançam suas músicas na internet. Não conheço muito música eletrônica, pois tenho preferência por um som mais pesado”, diz a garota, que ao contrário do que se pode imaginar, não faz o estilo “cantar macio” de cantoras como Norah Jones.
Pitty caiu na estrada e para lançar seu CD já fez shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e em breve estará em Brasília, quando irá se apresentar no festival Porão do Rock. “Estou muito feliz de poder tocar no Porão. Tenho muita admiração pelas bandas de Brasília.”
Admirável Chip Novo – Pitty. (Gravadora Deckdisc/2003). 11 faixas. Vendas pelo site da cantora: pitty.com.br.