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Bahia de todos os santos e sonoridades

Arquivo Geral

09/08/2004 0h00

Quando a baianidade é da gema e veste-se do mais inconfundível talento é difícil, para sua pobre vítima, segurar o rebolado. Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, 90 anos, o registro ao vivo do disco que os irmãos haviam lançado este ano, é uma apoteose de alegria, a prova cabal de que a música de qualidade, quando exercitada com plenitude – e este é o caso – sempre pacifica os ouvidos.

Tente, pois, colocar o CD dos Caymmi em seu aparelho de som, em casa ou no carro, cedinho da manhã. Deixe que Nana, Dori e Danilo assumam, logo de início, com suas possantes vozes a paixão pela Bahia (“Acontece que eu sou baiano/acontece que ela não é/ Mas, tem um requebrado pro lado/Minha Nossa Senhora/ E ninguém sabe o que é”) e você acaba sendo tomado por uma sensação prazerosa, solar, compensadora.

Então, você pensa que por trás daquela massa sonora, com letras fluidas e melodias ora sentimentais ora lúdicas , está uma lenda da música popula brasileira. E aí você se rende de vez, sem restrições, ao encanto do bom baiano, Dorival Caymmi.

E Caymmi é bom mesmo. Uma bondade que vem de um tempo em que nossa música não tinha compromissos com rótulos ou com tendênciais mundiais. Era uma época em que nossos compositores faziam canções sinceras, com veia poética e melodiosa sem cancelas. Para o povo cantar junto e se emocionar. Uma cumplicidade natural de quem compunha de porta aberta, trocando conversa e segredos com a vizinhança.

Foi essa carga afetiva e popular que faz das composições de Dorival Caymmi um combo musical devastador, quase uma categoria a parte dentro da MPB. Virou um adjetivo. O sentimento caymmiano diante do mar, dos pescadores, das mulatas sestrosas, do Brasil brasileiro ficou sintetizado em sambas e canções de rara beleza e qualidade.

Dai que este Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, 90 anos, ao vivo, tem por si só uma generosidade intrínseca que desarma fatalmente o ouvinte. Como ficar impune diante do hai-kai deslumbrante que é O Bem do Mar, cantado por um emocionado Danilo; ou como não tamborilar os dedos na madeira, e mesmo tentar um requebrado, quando se é tocado pela buliçosa Você já Foi à Bahia?

O disco traz alguns dos maiores clássicos do baiano, como, além das já citadas, O Samba da Minha Terra, Saudade da Bahia, Maracangalha A Vizinha do Lado, um apanhado de pérolas que ganharam afinação e paixão na voz dos filhos do criador. E ao vivo, este delicado presente de Nana, Dori e Danilo, é ainda mais tocante. Dá pra sentir o carinho, à flor da pele, que nutrem pelo pai. Difícil, assim, é para quem ouve este vigoroso disco, também não se sentir presenteado. E se você quiser ratificar isto ao vivo, os irmãos vão estar nesta quarta-feira cantando Dorival, no Teatro Nacional, às 21 h.

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    09/08/2004 0h00

    Quando a baianidade é da gema e veste-se do mais inconfundível talento é difícil, para sua pobre vítima, segurar o rebolado. Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, 90 anos, o registro ao vivo do disco que os irmãos haviam lançado este ano, é uma apoteose de alegria, a prova cabal de que a música de qualidade, quando exercitada com plenitude – e este é o caso – sempre pacifica os ouvidos.

    Tente, pois, colocar o CD dos Caymmi em seu aparelho de som, em casa ou no carro, cedinho da manhã. Deixe que Nana, Dori e Danilo assumam, logo de início, com suas possantes vozes a paixão pela Bahia (“Acontece que eu sou baiano/acontece que ela não é/ Mas, tem um requebrado pro lado/Minha Nossa Senhora/ E ninguém sabe o que é”) e você acaba sendo tomado por uma sensação prazerosa, solar, compensadora.

    Então, você pensa que por trás daquela massa sonora, com letras fluidas e melodias ora sentimentais ora lúdicas , está uma lenda da música popula brasileira. E aí você se rende de vez, sem restrições, ao encanto do bom baiano, Dorival Caymmi.

    E Caymmi é bom mesmo. Uma bondade que vem de um tempo em que nossa música não tinha compromissos com rótulos ou com tendênciais mundiais. Era uma época em que nossos compositores faziam canções sinceras, com veia poética e melodiosa sem cancelas. Para o povo cantar junto e se emocionar. Uma cumplicidade natural de quem compunha de porta aberta, trocando conversa e segredos com a vizinhança.

    Foi essa carga afetiva e popular que faz das composições de Dorival Caymmi um combo musical devastador, quase uma categoria a parte dentro da MPB. Virou um adjetivo. O sentimento caymmiano diante do mar, dos pescadores, das mulatas sestrosas, do Brasil brasileiro ficou sintetizado em sambas e canções de rara beleza e qualidade.

    Dai que este Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, 90 anos, ao vivo, tem por si só uma generosidade intrínseca que desarma fatalmente o ouvinte. Como ficar impune diante do hai-kai deslumbrante que é O Bem do Mar, cantado por um emocionado Danilo; ou como não tamborilar os dedos na madeira, e mesmo tentar um requebrado, quando se é tocado pela buliçosa Você já Foi à Bahia?

    O disco traz alguns dos maiores clássicos do baiano, como, além das já citadas, O Samba da Minha Terra, Saudade da Bahia, Maracangalha A Vizinha do Lado, um apanhado de pérolas que ganharam afinação e paixão na voz dos filhos do criador. E ao vivo, este delicado presente de Nana, Dori e Danilo, é ainda mais tocante. Dá pra sentir o carinho, à flor da pele, que nutrem pelo pai. Difícil, assim, é para quem ouve este vigoroso disco, também não se sentir presenteado. E se você quiser ratificar isto ao vivo, os irmãos vão estar nesta quarta-feira cantando Dorival, no Teatro Nacional, às 21 h.

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