O que pensar de um disco com produção saída de nove cabeças diferentes? A primeira resposta que vem à cabeça é que ele deve soar longe de um uníssono. E é exatamente o que acontece em Nada Pode Parar os Autoramas, terceiro disco do trio formado por Gabriel Thomaz (guitarra e voz), Simone do Vale (baixo e voz) e Bacalhau (bateria, ex-Planet Hemp). No caso, a diversidade de pensantes é um valor a mais.
Afinal, a banda nunca primou pela diversidade e, muitas vezes, quem assiste aos seus shows só percebe transições de três em três músicas. O disco traz 13 faixas compostas pelo trio e produzidas por oito profissionais, além do próprio Gabriel. O time de agregrados está escalado com os cariocas Rafael Ramos, Carlos Trilha, Jimmy London e Fausto Prochet; os paulistas Clayton Martin e Marco “Butcher”; e os gaúchos Júnior Ribeiro e Iuri Freiberger. A estratégia, desta vez, é armada pelo selo goiano Monstro Discos, já que os dois álbuns anteriores não tiveram distribuição e divulgação competentes por parte da gigante Universal.
O power-pop cheirando jovem guarda, Música de Amor, em parceria dos recém-casados Gabriel e Érika Martins (vocalista da Penélope), é o momento mais inspirado do disco. A surf music, tão presente na carreira de Gabriel (desde o tempo do Little Quail & The Mad Birds, em Brasília), é ouvida na instrumental Multiball. Em outros momentos, o backing vocal de Simone escorrega feio, como em Nada a Ver. Beleza é uma produção candanga: foi composta por Gabriel e Marquinho (Raimundos), Canisso (ex-Raimundos, atual Rodox) e Telo (ex-Filhos de Mengele e parceiro de composição de várias músicas dos Raimundos).
Em Nada Pode Parar os Autoramas, a banda conseguiu superar a mesmice de seu som, seu maior problema, só que ainda não conseguiu coesão suficiente. Mas estão perto disso.