Onome é feio, a dor é chata e a cura complicada. E o que é pior, ela está sendo classificada pelos especialistas como incapacitante. Estamos falando da velha e odiada enxaqueca. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaléia (SBCe), estima-se que ela atinja de 12% a 15% da população geral, com uma prevalência de 17% entre as mulheres.
A enxaqueca é uma espécie de dor de cabeça simples elevada ao quadrado. Diferente daquela mais comum – existem mais de 150 tipos já classificados –, a doença aqui em questão interfere nas atividades cotidianas, causando prejuízos à vida de quem a tem. Afinal, quem é que consegue trabalhar, estudar e se relacionar bem sentindo intensas e latejantes dores na cabeça, náusea, enjôo e tontura?
Muitos enxaquecosos tentam se automedicar em busca do alívio para suas dores, chegando a tomar vários comprimidos de analgésicos por dia. Porém, tratar-se por conta própria, alertam os médicos, é ironicamente a melhor forma de continuar com o problema. “Além de causar dependência, o abuso de analgésicos pode causar cefaléia crônica diária, pois esse tipo de medicamento, quando tomado em excesso, inibe a produção de endorfina, a substância produzida pelo sistema nervoso central que atua diretamente na dor e funciona como um analgésico natural”, declara o dr. Edgard Raffaelli Júnior, presidente de honra da SBCe e um dos mais respeitados neurologistas do Brasil.
Apesar da questão ser polêmica, alguns especialistas defendem que, ao contrário do que se costuma pensar, a enxaqueca tem cura. Contudo, o tratamento mais indicado ainda é o preventivo. É aquele que ataca diretamente as causas do problema, com medicação diária e específica, visando tratar e evitar a dor na cabeça e os sintomas ligados a ela. “Curar a enxaqueca significa tratar o paciente em todas as suas disfunções, e não apenas tratá-lo para evitar a dor”, completa Raffaelli.
De acordo com registros históricos, a enxaqueca existe desde a Grécia e o Egito antigos. Também conhecida como migrânea, é uma cefaléia primária, ou seja, uma dor de cabeça que não é um sintoma de nenhuma lesão orgânica ou de outra doença, e pode se manifestar em um dos lados da cabeça ou em ambos.
Durante muitos anos, supôs-se que esta cefaléia era causada por problemas de dilatação nas artérias cerebrais, mas hoje sabe-se que ela tem origem genética. O distúrbio provém de uma área do cérebro denominada sistema límbico, responsável pela liberação dos neurotransmissores, cujo mau funcionamento causa a dor.
Além das crises de enxaqueca, o paciente pode ter hipersensibilidade à luz (fotofobia), ao barulho e a odores, além de uma série de outros sintomas que muitas vezes ele não relaciona ao quadro da doença, como dores abdominais e nas pernas, distúrbios do sono, pesadelos, tonturas, enjôo, labirintite, fadiga crônica, sensação de medo e outros. Isso para citar somente alguns, já que são aproximadamente 60 os sintomas associados.
A dor proveniente da dor de cabeça pode durar horas ou dias, afeta crianças e adultos e manifesta-se de várias maneiras em diferentes pessoas, e até de diferentes formas na mesma pessoa, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. Algumas vezes, vem precedida da chamada “aura”, ou seja, uma espécie de “aviso” caracterizado por alterações na visão, formigamento no corpo e até dificuldade para falar.