Até hoje, seis meses após a confusão que a tirou do elenco de América, Lucy Mafra ainda não pode sair tranqüila. A atriz, que fazia a Claudete e foi veladamente acusada de furtar dinheiro da bolsa de Christiane Torloni, ainda sofre por conta das acusações.
"Na época, uma mulher me xingou na rua, as pessoas me paravam. Não ia na padaria, não podia ir ao supermercado", relembra a atriz. "Só pedia comida em casa. Acabei engordando, tive depressão. Desenvolvi síndrome do pânico".
Do episódio, Lucy guarda grande mágoa da autora da trama, Glória Perez, que, para ela, não teve uma atitude correta. "Ela não foi legal, não respondia mais aos e-mails, não me falou que seria afastada. Soube por não ter mais cenas para gravar", diz.
"Era a terceira novela dela que eu fazia inteira, além da participação em O Clone", conta a atriz, que tinha um carinho especial pela autora por conta de uma trágica coincidência: Lucy perdeu um filho num acidente. Além de Glória, Lucy não tem boas lembranças da Globo e entrou com processo contra a emissora por danos morais.
"Trabalhei 29 anos lá. Nunca tive problemas", defende-se. "Eles me disseram que eu seria recolocada em outro produto da casa", relembra. "Soube por uma amiga que não fariam nada por mim. Só entraram em contato comigo quando souberam que eu estava com o Sylvio Guerra (advogado)".
Custas Antes de América, Lucy conseguia se manter entre uma e outra participação em novelas e no teatro. Desde que foi afastada da Globo, a atriz só conseguiu um trabalho remunerado, há duas semanas, na Paixão de Cristo encenada no Teatro Municipal de Mauá, no interior de São Paulo, a convite do diretor Walter Carriel. "Talvez role um curso de interpretação para vídeo para eu dar aulas", conta.
Durante esses meses, Lucy vendeu o carro, contou com a ajuda da família para pagar as contas da casa e viu seu padrão de vida cair brutalmente. "Para pagar as custas do processo, aceitei dar entrevista no Programa do Ratinho. Nem vi o dinheiro, a negociação foi direto com o Sylvio".