“Após o 11 de Setembro, o mundo entendeu o que é o terrorismo. Esse é a mensagem de Panaah, disse Sikander à agência Efe, referindo-se aos atentados de 2001 contra os Estados Unidos, que tiveram efeitos imediatos no Afeganistão, com a ainda presente operação militar no país.
A indústria cinematográfica do Afeganistão foi destruída em três décadas de guerra. Por isso, Sikander tem como objetivo “levar um novo tipo de cinema” aos jovens afegãos, que seja “comparável com os filmes estrangeiros”.
No entanto, o ator explica que a tarefa não é fácil. Faltam canais de distribuição adequados para garantir que a produção de um filme seja economicamente viável no país.
Mesmo assim, Sikander ficou famoso no Afeganistão. Ele afirma ter recebido uma resposta muito positiva da população afegã, inclusive em partes remotas do país. A reação inspira o artista a continuar entretendo o seu povo.
“Acho que os meios de comunicação são muito importantes. Antes, a imprensa no Afeganistão não era livre. Hoje, mesmo nos menores povoados do país, as pessoas vêem e discutem as telenovelas indianas”, comentou Sikander. Ele vê uma grande mudança na sociedade.
Como muitos de seus compatriotas, Assad Sikander deixou o Afeganistão no começo da invasão soviética, em 1979. Ele se estabeleceu na Bulgária, onde vive com sua mulher e sua filha, Diana.
O ator aprendeu artes marciais e, após obter a faixa preta e ganhar várias competições na Bulgária, Alemanha e Estados Unidos, se transformou em treinador.
Mas desde pequeno os filmes eram a sua paixão. Por isso foi a Mumbai, o coração da indústria cinematográfica indiana, para fazer um curso de cinema.
A combinação de cinema e artes marciais abriu as portas dos filmes de ação. Com isso, o ator afegão estabeleceu contatos com algumas das figuras mais populares da indústria cinematográfica indiana, como Sunil Shetty.
Após atuar como diretor de cenas de ação, rodou seu primeiro filme, “Bullet-Ek Dhamaka” (“Bala, uma explosão”), um sucesso na Índia. Sikander é um artista polivalente. Dividindo-se entre Bulgária, Afeganistão e Índia, ele é ao mesmo tempo ator, diretor, produtor e diretor de ação.
“Minha ação é extraordinária, mesmo para os padrões de Hollywood”, afirmou Sikander. A sua equipe trabalhou com atores famosos, como Jean-Claude Van Damme, Steven Seagal e Brad Pitt.
O atual projeto, “Panaah”, é o seu primeiro filme falado em dari e pashto, os dois idiomas principais do Afeganistão. Mas a maior parte da produção foi filmada na Bulgária e na Índia.
Embora o filme ainda não tenha estreado no Afeganistão, Sikander organizou uma projeção privada para o presidente, Hamid Karzai, que gostou muito do que viu.
A impressão de Karzai deverá agora ser referendada pelo público afegão, ávido por esquecer por alguns instantes uma realidade violenta.
“A nova geração quer ser moderna. As telenovelas e o cinema oferecem modelos de relações amorosas, ou formas de se vestir. A influência é grande e positiva. Não tenho a menor dúvida de que a sociedade se beneficiará pouco a pouco”, avaliou Sikander.