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Até o final do ano chega ao mercado a biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais

Arquivo Geral

09/08/2007 0h00

Os originais serão entregues em setembro. Enquanto isso, Fernando Morais vai finalizando minuciosamente a biografia de Paulo Coelho. “Um sujeito extraordinário’, diz o autor. “Como estou convencido de que ele é o melhor personagem com que já topei em toda minha carreira, fica difícil descrevê-lo em uma frase’, declara.

O mineiro de Mariana levou dois anos e meio para esquadrinhar o carioca um ano mais novo (Morais nasceu em 1946 e Coelho, em 1947). O trabalho, que terá o título O Mago – A Extraordinária História de Paulo Coelho, poderá ser conferido até o fim do ano, com lançamento pela Editora Planeta.

A história dessa parceria começou com um pedido de voto, quando Morais disputou a vaga de Roberto Marinho na ABL (Academia Brasileira de Letras), que perdeu para o ex-vice-presidente Marco Maciel, em 2003. “Ele me respondeu com uma mensagem muito gentil, dizendo que já havia se comprometido com Maciel, mas que, se eu não me elegesse naquela e voltasse a me candidatar, ele teria muito prazer em votar em mim’, lembra.

Os dois se conheceram pessoalmente meses depois, no aeroporto francês de Lyon, no dia em que os trabalhos para a biografia foram iniciados. “O Paulo tem cara de bravo, mas é uma pessoa muito simples, um sujeito suave, polido e muito generoso’, derrete-se Morais, que já registrou as vidas de Olga Benário e Assis Chateubriand, entre outros personagens de nossa história, e guarda para o futuro a biografia de Antonio Carlos Magalhães. Para isso, Morais viajou para o Egito, Hungria e República Tcheca atrás de seu novo personagem. Foi a Tarbes, na fronteira da França com a Espanha (onde Coelho mora atualmente), observou, gravou, anotou.

De volta ao Brasil, entrevistou “amigos, inimigos, namoradas, desafetos, parentes, médico que aplicou eletrochoques nele, uma infinidade de gente’, relata o biógrafo, que se mudou temporariamente para o Rio (eterno lar do mago) a fim de cumprir a tarefa.

Depois, voltou à Europa, retomou os depoimentos de Coelho e o reencontrou enquanto ele refazia o caminho de Santiago, 20 anos depois de sua famosa peregrinação. “Foram entrevistas que trataram de toda sua vida, do nascimento até os 60 anos, que ele completa no próximo dia 24 de agosto (embora comemore a data em 19 de março, dia de São José, seu padroeiro). Acho que tenho cerca de 200 horas gravadas com ele, mais os 19 chats que fizemos ao longo desses dois anos e meio.’

Mas, destaca o autor, o melhor não saiu daí. “Lendo o testamento do Paulo, descobri que ele mantinha num porão uma arca fechada a cadeado que deveria ser incinerada com todo o conteúdo após a sua morte. Eu pedi para abri-la e ele desconversou, disse que não havia nada de importante lá. Diante da minha insistência, ele fez um desafio: eu teria as chaves se descobrisse quem foi o militar que o prendeu num quartel do interior do Paraná, em 1969, sob acusação de terrorismo”.

Um mês após a conversa, Coelho recebeu via internet fotos e uma entrevista com o coronel do Exército que foi seu carcereiro. “De posse das chaves, descobri um tesouro: 40 anos de diários do Paulo, manuscritos em 190 cadernos. Hoje tudo isto está digitalizado e guardado no computador. Tive que recomeçar tudo do zero, mas valeu a pena. Descobri fatos que tinham sido condenados por Paulo ao fogo eterno’.

ACM
Sobre As Sete Mortes de ACM, livro sobre o senador Magalhães (que morreu em julho deste ano), Morais diz que não é para breve. Antes de concluir o projeto que já tem 11 anos, ele quer férias. “Cada dia sua alegria, cada dia sua agonia, já disse alguém. Primeiro tenho que terminar O Mago. Depois quero fazer algo que não faço há muitos anos: descansar. Quem sabe pegar a moto em São Paulo e só parar em Fortaleza, por exemplo, ou Buenos Aires, sem dia nem hora para chegar’, planeja o escritor. “Aí volto para o computador para começar As Sete Mortes.’

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