O artista brasileiro Mauricio Ianés surpreendeu nesta terça-feira (4) o público da Bienal de Arte de São Paulo ao iniciar, completamente nu, uma “performance” que durará até o 16 deste mês e com a qual pretende reivindicar a “bondade dos estranhos”.
Ianés, de 35 anos, dormirá, se alimentará e fará suas necessidades sem sair do recinto e sobreviverá graças às doações dos visitantes, tentando portanto o público seja parte ativa e fundamental de sua obra.
Além disso, o artista não se comunicará com ninguém e não pode receber ajuda de conhecidos ou trabalhadores da Bienal.
Meia-hora após começar sua “performance”, um dos visitantes lhe entregou uma garrafa de água e posteriormente outras pessoas lhe deram camisetas, comida e até um amigo imaginário de papel.
Ianés, que tem a cabeça rapada e os braços tatuados, estudou artes em São Paulo e trabalha com vídeo, projeções, instalações, objetos e “performances”.
Também é desenhista de moda e na Bienal tenta estabelecer uma relação com o espectador que lhe permita sobreviver no vazio.
A 28ª Bienal de Arte de São Paulo excluiu a pintura e outras manifestações artísticas tradicionais para render uma homenagem ao “vazio” de qualidade e crítica achado nas bienais que se realizam no mundo todo, segundo seus organizadores.
A Bienal começou em 25 de outubro e vai até 6 de dezembro.