Anjos, arcanjos, santos, madonas e toda a riqueza da pintura sacra podem ser apreciadas até dia 9 de agosto no Foyer da Sala Martins Penna do Teatro Nacional, de 9h às 21h. A exposição Pintura Colonial Peruana Escola Cusquenha reúne 22 obras do artista plástico peruano, radicado em Goiânia, Víctor Hugo Bravo.
Além de visitar e conhecer a arte criada na metade do século 17 no que foi a capital do Império Inca, quem se encantar pelas obras pode levá-la para casa. As pinturas estão à venda por preços que variam entre R$ 400 e R$ 3 mil.
Bravo é sociólogo, historiador, professor de arte e grande pesquisador da pintura colonial barroca de origem cusca, local onde nasceu. Ele conta com orgulho que é continuador dessa corrente histórica e que toda a técnica aprendeu sozinho, pesquisando o assunto.
O interesse nasceu durante os quatro anos em que viveu em um seminário no Peru. “Lendo a Bíblia e pesquisando a vida dos santos nasceu minha admiração pela riqueza da pintura cusquenha”, revela.
Esta arte preencheu templos, conventos, monastérios e residências de todo o vice-reinado do Peru. Foram 300 anos de produção permanente, como anjos armados com arcabuz (uma espécie de espingarda antiga) e virgens com trajes de forma triangular – que os nativos associavam a espíritos das montanhas.
Bravo destaca que as pinturas são em alto-relevo, cobertas por pedrarias e folheadas a prata e ouro. As molduras de madeiras são talhadas à mão e possuem pequenos espelhos encrustados. “São obras com características decorativas”, avalia o artista.
Víctor Hugo explica que arte cusquenha foi muito importante no trabalho de catequese realizado pela Igreja Católica no início da colonização da América andina. Os incas cultuavam símbolos pagãos, como o Sol. A Espanha enviou artistas religiosos a Cusco, para usar as imagens sacras como recurso didático de evangelização.
Dessa imposição nasceu a pintura colonial barroca. “Há influências das artes européias. A pintura da Escola Cusquenha é resultado da miscigenação da técnica e temática espanhola com elementos da cultura inca”, revela Bravo. As obras de Victor Hugo já foram expostas nos Estados Unidos e Espanha. Mas o artista confessa que sua maior fonte de inspiração é mesmo Machu Picchu, cidade que procura visitar constantemente.