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Arte moderna chega ao interior

Arquivo Geral

22/12/2005 0h00

Os 45 anos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, foram comemorados na última terça-feira, com a inauguração do Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, no prédio modernista onde funcionava a reitoria, no centro da cidade. Com investimento de R$ 1,2 milhão, cerca de 120 operários trabalharam durante 54 dias para reformar os 2.400 m2, divididos em três andares, por onde se espalham as 300 obras de artistas internacionais e nacionais, como Miró, Picasso, Portinari e Guignard. Além disso, o MAM possui uma biblioteca com oito mil títulos e um laboratório de restauração.

Poeta, crítico de arte e colecionador, Murilo Mendes (1901/1975) nasceu em Juiz de Fora, publicou 16 livros, fez parte do Movimento Modernista e morou em Niterói e Rio de Janeiro, antes de viver na Europa durante 18 anos. Lá, conviveu e tornou-se amigo de pintores, que lhe presenteavam com suas obras. “Este é o ponto alto dessa coleção. A maioria das telas têm dedicatória. É uma coleção de afetos”, define a diretora do museu, Valéria Faria.

E tudo começou quando a viúva do poeta, Maria da Saudade Mendes, doou 2.861 livros da biblioteca particular do escritor à universidade, em 1976. Professores de Arte e Literatura criaram, então, o Centro de Estudos Murilo Mendes, para onde chegaram também correspondências, fotografias e fitas de áudio com depoimentos do escritor. O então Ministro da Educação, Murilo Hingel, conseguiu a transferência das obras de arte de Lisboa, onde faleceu o poeta, para Juiz de Fora. “Agora, temos condições técnicas mais adequadas para abrigar essa coleção. Temos quase três vezes mais espaço”, comemora a reitora da UFJF, Margarida Salomão.

Para a reforma do novo espaço cultural, o arquiteto Sebastião Lopes planejou tudo: da cor das paredes, um rosa seco, para emoldurar melhor as telas, até a iluminação. Como a luz natural prejudica as obras de arte, os ambientes foram bloqueados. Um sistema de ar condicionado regula a temperatura e a umidade, enquanto a segurança conta com câmeras de vídeo, alarme e detector de fumaça. Para evitar pragas como cupins, o revestimento em madeira do piso foi trocado. Por último, os jardins foram redesenhados: “Nós diminuímos o volume de vegetação vertical, para deixar mais visível a fachada do prédio, que tem grande valor arquitetônico e histórico”, explica o arquiteto.

No laboratório de restauração, são trabalhadas fotos antigas e qualquer documento em papel, não só do acervo do MAM, mas também por encomenda de particulares. Para tanto, usa-se do bom e do melhor: “Trabalhamos com passe-partout francesa”, conta o restaurador Lauro Bohnenderger. Para se ter uma idéia, uma folha de 80 por 120 cm custa R$ 50.

A repórter viajou a convite da UFJF

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    Poeta, crítico de arte e colecionador, Murilo Mendes (1901/1975) nasceu em Juiz de Fora, publicou 16 livros, fez parte do Movimento Modernista e morou em Niterói e Rio de Janeiro, antes de viver na Europa durante 18 anos. Lá, conviveu e tornou-se amigo de pintores, que lhe presenteavam com suas obras. “Este é o ponto alto dessa coleção. A maioria das telas têm dedicatória. É uma coleção de afetos”, define a diretora do museu, Valéria Faria.

    E tudo começou quando a viúva do poeta, Maria da Saudade Mendes, doou 2.861 livros da biblioteca particular do escritor à universidade, em 1976. Professores de Arte e Literatura criaram, então, o Centro de Estudos Murilo Mendes, para onde chegaram também correspondências, fotografias e fitas de áudio com depoimentos do escritor. O então Ministro da Educação, Murilo Hingel, conseguiu a transferência das obras de arte de Lisboa, onde faleceu o poeta, para Juiz de Fora. “Agora, temos condições técnicas mais adequadas para abrigar essa coleção. Temos quase três vezes mais espaço”, comemora a reitora da UFJF, Margarida Salomão.

    Para a reforma do novo espaço cultural, o arquiteto Sebastião Lopes planejou tudo: da cor das paredes, um rosa seco, para emoldurar melhor as telas, até a iluminação. Como a luz natural prejudica as obras de arte, os ambientes foram bloqueados. Um sistema de ar condicionado regula a temperatura e a umidade, enquanto a segurança conta com câmeras de vídeo, alarme e detector de fumaça. Para evitar pragas como cupins, o revestimento em madeira do piso foi trocado. Por último, os jardins foram redesenhados: “Nós diminuímos o volume de vegetação vertical, para deixar mais visível a fachada do prédio, que tem grande valor arquitetônico e histórico”, explica o arquiteto.

    No laboratório de restauração, são trabalhadas fotos antigas e qualquer documento em papel, não só do acervo do MAM, mas também por encomenda de particulares. Para tanto, usa-se do bom e do melhor: “Trabalhamos com passe-partout francesa”, conta o restaurador Lauro Bohnenderger. Para se ter uma idéia, uma folha de 80 por 120 cm custa R$ 50.

    A repórter viajou a convite da UFJF

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