Da amizade, e do talento, de um ex-lavrador do interior do Rio Grande do Sul e um frentista baiano nasceu uma dupla sertaneja que virou febre no Mato Grosso. Brenno Reis & Marco Viola se preparam para lançar o primeiro CD (eles já gravaram três em Cuiabá) nacionalmente, pela Universal Music, batizado de Do Jeito que o Povo Gosta.
A dupla de violeiros virou referência do ritmo rasqueado e das modas de viola na Região Centro-Oeste, a ponto de lotar o ginásio da Universidade Federal do Mato Grosso, no último sábado, com um público de oito mil pessoas. “Não adianta se lançar no mercado tentando imitar outras duplas, o timbre de outros cantores, o jeito de cantar”, explica o gaúcho Brenno Reis, 30 anos. “As pessoas notam diferença no nosso trabalho e é por isso que gostam. Temos nosso estilo.”
Estilo, aliás, marcado pela influência do lendário violeiro mineiro Tião Carreiro – morto em 1993 –, presente no trabalho da dupla. Marco Viola faz questão de assinalar semelhanças entre ele e o ídolo caipira. “Minha voz lembra um pouco a dele (Tião Carreiro) e meu jeito de tocar viola também”, diz o tímido baiano de 26 anos. Para ultrapassar as fronteiras do Mato Grosso, sem esbarrar no preconceito, Brenno e Marco incluíram músicas no estilo sertanejo romântico para quem não é muito fã de moda de viola. “É uma estratégia para conseguirmos conquistar o público do eixo Rio-São Paulo”, conta Brenno. Se por um lado Brenno Reis & Marco Viola fazem questão de diferenciar seu trabalho das demais duplas sertanejas, por outro o início da carreira é tão humilde quanto a de outros colegas já consagrados. “Quando comecei a cantar, cheguei a me apresentar em troca de um prato de comida e até por um pacote de macarrão”, conta Brenno. “Quando me juntei com o Marco cobrávamos R$ 50 de cachê. Hoje, recebemos R$ 12 mil por show.”