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Apesar da chuva, escolas de samba do Rio brilham no primeiro dia na Sapucaí

Arquivo Geral

04/02/2008 0h00

Em um ambiente tomado pela emoção, aproximadamente 80 mil pessoas desafiaram a chuva para ver o primeiro dia de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, que este ano lembram a chegada da família real portuguesa ao Brasil.

A festa, a música e o samba não pararam em nenhum momento ao longo das mais de oito horas em que as seis escolas – São Clemente, Porto da Pedra, Salgueiro, Portela, Mangueira e Viradouro – percorreram a Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfile.

A chegada da família real portuguesa ao Brasil, que este ano completa seu bicentenário, inspirou várias escolas, enquanto outras se focaram nas belezas do Rio, no frevo, na natureza e na água como fonte da vida.

A primeira escola a desfilar na avenida foi a São Clemente, que narrou com bom humor a chegada da família real sob o olhar de Maria I, a louca, mãe do príncipe regente D. João VI.

A Porto da Pedra, de São Gonçalo, dedicou seu desfile à comemoração dos cem anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil.

Em um ambiente inspirado na terra do sol nascente, centenas de japoneses (alguns vindos diretamente do Japão e outros descendentes dos primeiros imigrantes) tentaram sambar. Esses japoneses eram apenas uma parte dos cada vez mais numerosos turistas que participam do Carnaval mais famoso do mundo, seja na arquibancada ou na avenida.

Enquanto muitas pessoas se viam perdidas tentando cantar o samba-enredo de suas escolas, o Salgueiro levantou o público com sua música de ritmo contagiante.

Um dos mais felizes da noite era Paulo, da velha-guarda da Portela, que aos 72 anos continua desfilando com a mesma esperança que começou, quando tinha apenas 11 anos. Desde então, não perdeu nenhum Carnaval. “Vivi de tudo no Carnaval, mas para mim é amor, alegria, diversão, e isso não se compara com nada”, disse com alegria e confiança minutos antes de entrar na avenida.

Já a modelo Claisy, de 28 anos, veio especialmente dos Estados Unidos para desfilar como destaque em um dos carros alegóricos da Portela. “Vivo em Miami há três anos e, desde então, venho só para o Carnaval. É a maior festa que existe”, afirmou a jovem.

A Portela escolheu “a recriação da vida” como enredo para este ano, e, por isso, a maioria de suas fantasias e carros alegóricos referiam-se às vidas humana e animal.

O fato de ter que usar fantasias de acordo com o tema da escola nem sempre agrada seus integrantes. “Aproveito bastante o Carnaval, mas este ano tenho que usar pés de pingüim, que não me deixam me mexer com facilidade”, explicou Fabricio, de apenas 11 anos, resignado.

A Mangueira apostou no enredo sobre o frevo, ritmo pernambucano que completou cem anos em 2007. “Estou realizando um sonho”, disse Alexandra, que aos 33 anos desfila pela primeira vez no Sambódromo. Residente em Brasília, ela chegou no sábado para desfilar pela Mangueira, depois de pagar R$ 500 pela fantasia.

O desfile foi encerrado pela Viradouro, escola que gerou polêmica antes do Carnaval por causa de um carro alegórico que retratava o Holocausto. O carro foi proibido de entrar na avenida por uma ordem judicial e a pedido da comunidade judaica, e foi substituído.

A Viradouro levou uma pista de esqui artificial, as baianas desfilaram com saias de iglu, e sofreram com o peso da água da chuva sobre a fantasia.

Os desfiles continuam nesta segunda-feira, com Mocidade, Unidos da Tijuca, Imperatriz, Vila Isabel, Grande Rio e Beija-Flor.

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