Além de autor de novelas, Antonio Calmon é um dos roteiristas e diretores mais importantes do cinema brasileiro. Co-autor de O Quatrilho e Tieta do Agreste, começou como assistente do diretor Glauber Rocha, em Terra em Transe (1967), e seu primeiro filme, O Capitão Bandeira Contra o Dr. Moura Brasil, é um clássico do cinema experimental. Calmon estreou na TV como supervisor artístico de Armação Ilimitada. Top Model foi sua primeira novela na Globo, onde fez, entre outras, Vamp, Um Anjo Caiu do Céu e O Beijo do Vampiro. Com relação à Começar de Novo, o escritor volta com todo o gás falando sobre paixões juvenis, megeras indomáveis e amores inesquecíveis. Algumas cenas da nova novela das sete foram gravadas em Moscou, terra de gênios da literatura como Leon Tolstoi e Fiodor Dostoievski, algumas de suas grandes inspirações.
Como surgiu a idéia da trama principal?
A trama romântica é releitura de O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas. A novela fala de amor. Quem ama intensamente sabe que não há limites: a pessoa não quer comer, dormir nem trabalhar. Uma vez, num enterro, uma mulher que tinha perdido o marido se reencontrou com um amor da adolescência. Não sei o que aconteceu, o que vale é a poesia.
E a parceria com Elizabeth Jhin, como é?
Estou responsável pelo Miguel e os personagens que o rodeiam. É a minha cara escrever esse amor juvenil entre ele e Júlia. Trabalho também com o personagem do Vladimir, um jovem herói. E estou preocupado com um núcleo negro forte, porque esse é um grande passo que está sendo dado no Brasil. A Elizabeth ficou, por exemplo, com a Letícia, por quem estou apaixonado. Não saberia escrever a Letícia, só ela.
Como convenceu Marcos Paulo a voltar a atuar?
Desde O Beijo do Vampiro conversamos sobre isso. Disse para ele que ter um dom e não usar é um pecado.
Como será o reencontro entre Letícia e Miguel?
Numa banheira de hidromassagem (capítulo 9), num spa. Toda novela de cidade pequena tem uma pensão, um hotel, e a gente resolveu pegar a cultura do spa. Essa cena é coisa de Elizabeth Jhin, que é um gênio. Evidentemente todo o mundo ia esperar um encontro romântico. E ela fez de uma forma gostosa e muito feminina. Letícia ainda não sabe que ele é o Miguel, seu amor da adolescência.
O núcleo da Vó Doidona e do Vô Doidão é uma das apostas de comédia. Você já foi hippie?
É muito bom trazer Marília Pêra de volta às novelas. Ela e Luís Gustavo prometem cenas hilárias. Já fui hippie, sim, paz e amor mesmo, com aqueles trajes.
Você também se sente começando de novo?
Agora não. Mas, quando voltei a escrever, sim. O escritor, quando fica algum tempo sem escrever, parece que tem que reaprender tudo. Mas, agora, as coisas já estão engatilhadas, já comecei de novo.
Como lida com a audiência, ter que aumentar e diminuir cenas por causa de ibope?
Quem está no fogo é para se queimar.