A veterana atriz americana Jane Fonda, de 69 anos, protagonista do clássico Barbarella, dirigido por Roger Vadim, seu marido na época, ainda quer interpretar um papel sexy. Quase 40 anos após fazer o papel da bela astronauta que propagava pelo espaço a filosofia hippie da época, Fonda quer agora “fazer um filme que trate do sexo na maturidade. Um filme sensual sobre mulheres maduras”, afirmou em entrevista ao jornal Die Zeit.
Mais recentemente, ela trabalhou como protagonista nos filmes A Sogra (2005) e Ela É a Poderosa (2007). Após admitir que já não recebe “tantas ofertas de papéis como antes”, a filha de Henry Fonda e irmã de Peter Fonda acrescenta que, se sua idéia não se tornar real na tela grande, tentará concretizá-la literariamente.
“Penso em escrever um livro sobre o processo de envelhecimento voltado principalmente para as mulheres. Para isso, já estou fazendo muitas entrevistas”, disse a atriz, que em 21 de dezembro completará 70 anos.
A diva lembra que sua relação familiar sempre foi problemática. “Meu pai sempre foi incapaz de mostrar sentimentos para comigo e para com meu irmão Peter. Sempre parecia ausente e desinteressado. Quando minha mãe (Francis Ford Seymour) se tornou cada vez mais depressiva e tivemos que interná-la em um psiquiatra, nunca conversamos sobre isto”, acrescentou.
“Ninguém me contou que minha mãe tinha se suicidado. Quando completei 13 anos, me disseram que ela tinha morrido de infarto. Um ano mais tarde, descobri lendo uma revista no colégio que ela tinha cortado o pescoço”, lembrou.
Jane Fonda também falou sobre suas mudanças pessoais de “diva beat”, em Barbarella, a ativista contra a Guerra do Vietnã e mais adiante como rainha da aeróbica. “Mudei tantas vezes que até minha própria filha (Vanessa, de seu casamento com Vadim) me chama de camaleão”, admitiu.
“Naturalmente, não me agrada que toda uma geração me conheça mais como a musa dos tonificadores (de pernas) que dava saltos na televisão da mãe em vez de atriz”, disse Fonda sobre sua fase em que virou divulgadora mundial da aeróbica.
E sobre sua etapa contestadora, ela acredita que ainda hoje é para muitos conservadores dos Estados Unidos “um símbolo de traição, de traição à pátria” por ter viajado ao Vietnã do Norte durante a guerra. “E de traição de classes, pois deveria ter ficado agradecida com minha procedência privilegiada”, diz Jane, que de 1991 a 2001 foi casada com o milionário Ted Turner, dono da CNN.