O ator espanhol Antonio Banderas foi nesta quinta-feira (18) a estrela do primeiro dia do Festival de Cinema de San Sebastián, através da apresentação do filme The Other Man, de Richard Eyre, e onde o ator receberá amanhã o Prêmio Donostia por uma carreira que, segundo ele, durará ainda muitos anos.
A competição oficial do festival, um dos mais importantes do mundo junto a Cannes e Veneza, começa amanhã com vários diretores consagrados em disputa, como o britânico Michael Winterbottom, com Genova, e o coreano Kim Ki-duk, com Bi-mong (Dream), além do argentino Daniel Burman, que aspira à Concha de Ouro com El nido vacío (O Ninho Vazio).
“O motor que faz com que me dedique à atuação desde que tinha 12 anos segue funcionando”, disse na quinta-feira Antonio Banderas, que fez um balanço sobre uma trajetória internacional “na qual não houve grandes decepções”.
O ator, de 48 anos, participou hoje de uma coletiva de imprensa na qual afirmou que se sente “cheio de gratidão e um pouco aflito” ao receber um prêmio que já foi conquistado por atores como Fernando Fernán Gómez e Paco Rabal – com os quais trabalhou – e por Gregory Peck e Bette Davis.
O fato de ser Pedro Almodóvar que lhe entregará o prêmio é para Banderas a oportunidade perfeita de celebrar “quase dez anos de colaboração e cinco filmes juntos”, disse o protagonista de The Other Man, filme de Richard Eyre que abriu hoje a seção oficial do festival cinematográfico.
Neste filme, Banderas enfrenta Liam Neeson em um triângulo amoroso formado ainda por Laura Linney, a mulher que planeja de forma ausente a metafórica partida de xadrez que os dois atores jogam ao longo da trama, baseada no relato homônimo de Bernhard Schlink.
Neeson encarna um bem-sucedido empresário que procura em um outro homem – um persuasivo espanhol interpretado por Banderas – as verdades ocultas de sua esposa desaparecida.
Neste filme, é produzido um novo duelo interpretativo criado por Eyre, que há dois anos aconteceu entre Judi Dench e Cate Blanchett em Notas sobre um Escândalo (2006).
O cineasta sempre teve em mente Banderas na hora de desenvolver o papel – “um personagem patético que não é o que pretende ser”, nas palavras do ator -, por isso que sua chegada ao projeto supôs “uma feliz colaboração” que enriqueceu o personagem, explicou Eyre em coletiva de imprensa.
Banderas ressaltou que The Other Man não é um filme americano, mas britânico. “Hollywood não pode dar lições de moralidade”, afirmou o ator, que lembra como nos Estados Unidos se escandalizou a condição de homossexual de seu personagem – e não a de assassino – em A lei do desejo (1986).
“Trabalhei com Pedro Almodóvar durante os anos 80 (…), em títulos que com o tempo se transformaram em clássicos”, lembrou o protagonista de Ata-me (1989), que comemora os trabalhos com o cineasta que, segundo ele,”inventou sua própria linguagem e pagou um preço por ela”.
Quando receber o prêmio Donostia de suas mãos, Antonio Banderas, que estreou em Hollywood com Os reis do Mambo (1992), diz que só terá vontade de abraçá-lo, já que, segundo ele, os dois não mantêm contato há muito tempo.
“Depois falaremos e já veremos o que a vida nos tem reservado”, explicou o ator sobre um possível novo filme conjunto.
Perfeitamente instalado em Hollywood e com uma bem-sucedida trajetória teatral na Broadway, o ator espanhol não sente ter sido representante de ninguém mais do que dele mesmo, mas reconhece ter aberto portas aos atores latinos nos EUA.