Gripes e infecções cada vez mais fortes, freqüentes e resistentes aos tratamentos indicados estão se tornando comuns, devido ao uso abusivo e indiscriminado de medicamentos. Esta é hoje a principal causa do aumento da resistência bacteriana aos antibióticos. “Por causa de mutações genéticas e de uma seleção natural pelo uso excessivo de antimicrobianos, algumas bactérias se tornaram capazes de produzir enzimas que destroem os efeitos dos antibióticos”, explica a bacteriologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marise Dutra. É o que acontece com as bactérias do grupo pseudomonas aeruginosa, segunda causa mais freqüente de infecção hospitalar no Brasil. O Ministério da Saúde informa que 15,5% dos pacientes internados no país contraem algum tipo de infecção hospitalar. A aparente vantagem evolutiva desse microorganismo é responsável por altos índices de mortalidade por pneumonia hospitalar. “Essa bactéria é bastante preocupante, porque apresenta resistência a diversas classes de antimicrobianos. Em muitos casos, só dá para utilizar um tipo de antimicrobiano, do grupo das polimixina, que é tóxico para o paciente”, explica Marise.